Beatriz Franco, de Santos
Todo mundo se diverte assistindo aos malabarismos que os jogadores americanos de basquete fazem com a bola. Mas essas brincadeiras viram coisa séria quando feitas pelos brasileiros de basquete de rua (streetball).
A principal diferença entre o basquete de rua e o de quadra é que no de quadra são utilizadas mais técnicas e regras, enquanto o de rua usa mais brincadeiras e abusa do molejo dos jogadores. Érico Urbano, O Magrão, jogador do time canil Street Ball, explica que as brincadeiras nas apresentações não são utilizadas nos jogos. Mas não são todos os que gostam. Segundo Érico, quem pratica o basquete de rua ainda é vítima de preconceito.
“Os clubes que antigamente sediavam jogos de basquete tinham preconceito com o basquete de rua e, às vezes, dava briga por causa das brincadeiras. Os jogadores profissionais se sentiam humilhados por não conseguirem acompanhar as passadas de bola.”
Magrão ainda acrescenta que o maior problema na região, além do preconceito, é a falta de quadras que, quando existem, estão destruídas, sem o aro na tabela. “A gente tem até uma cesta móvel que nós montamos com um aro encontrado no lixo. Quando não tem tabela na quadra, levamos ela.”
O jogador ainda tem esperança de que dê certo por aqui devido ao número de praticantes e pelo incentivo de poucas organizações, como a Black Cia. Segundo ele, está sendo organizado um campeonato que deve ter cerca de 200 participantes na região.
Magrão lamenta, porém, que o esporte só apareça em eventos se for incluído no movimento hip hop. “Ninguém entende como esporte, então temos que embarcar como algo que faz parte da cultura do hip hop, assim como a música e o grafite.”
Incentivo - Depois das primeiras conquistas, apareceram alguns patrocinadores e agora a equipe também tem o apoio da Prefeitura de Santos. “Nossa intenção é crescer, as meninas são excelentes e quanto mais incentivo melhor desempenho da equipe.”
O plano agora é conquistar mais esse campeonato da Copa Open Industrial e investir na equipe, inclusive nas meninas mais novas que estão começando no esporte e se espelham nas veteranas para alcançar os resultados.
Grupo - Tamires Ricardo Sena da Silva é uma das garotas da equipe e, segundo o técnico Anderson, é o pulmão do time. “Quando ela não joga bem, o time todo fica mal.” Apesar dos elogios, Tamires acrescenta que a equipe toda é excelente e joga como um grupo.
A jogadora de 20 anos diz que o projeto veio na hora certa, principalmente paras as meninas mais velhas como, que não têm muita aceitação em outros lugares. “O Gol de Placa veio a calhar porque ninguém dá valor ao futebol feminino e nós, mais velhas, não temos chances em outras equipes.”
Tamires, que joga futebol desde os 9 anos, pretende trasformar o futebol na sua profissão e não consegue pensar em outra coisa para fazer. “Eu amo futebol, sempre amei, então quero jogar, fazer faculdade de educação física e virar profissional.”