17 de janeiro de 2010

Efeitos do Verão

Beatriz Franco, de Santos

Atire a primeira pedra a mulher que nunca sonhou em ter os cabelos das modelos de comerciais de xampu. Macios, sedosos, brilhantes... Mas, para conseguir esse resultado, é preciso cuidar diariamente dos fios, principalmente no verão. Sol, vento, o sal do mar, o cloro da piscina... tudo isso contribui bastante para que o cabelo de modelo fique mais parecido com a palha de aço da propaganda seguinte. 
A cabeleireira Cássia Pimentel, de Santos, explica que o principal para manter os fios sempre bem cuidados é procurar produtos específicos para cada tipo de cabelo e fazer hidratação sempre. "Hoje existem tratamentos e produtos para todos os bolsos. Basta procurar. É essencial também usar sempre um chapéu ou boné, que ajudam a proteger os fios". 
O terapeuta capilar Sérgio Martins, do Sergio’s Coiffeur, de Santos, dá algumas dicas que servem para todos os cabelos. "Aproveite o verão para tomar muitos banhos frios. A água quente é inimiga dos cabelos. Ela estimula a oleosidade excessiva do couro cabeludo e incha as escamas dos fios, tirando o brilho". 
Outro alerta importante é nunca deixar os cabelos secarem com a água salgada. Segundo Sérgio, os grãos de sal funcionam como uma lente de aumento e ressecam os fios, intensificando a ação da radiação solar. "Depois da praia é fundamental enxaguar o cabelo com a água do chuveiro". Apesar dessas dicas gerais, existem orientações específicas que previnem o aparecimento de problemas típicos da estação.


Ressecamento O cloro das piscinas é um dos principais inimigos do cabelo. Ele tira a oleosidade dos fios, deixando-os secos e sem vida. Sérgio explica que o melhor a fazer depois do mergulho é deixar de lado o xampu. Apenas enxaguar bem para retirar todos os resíduos do cloro e passar um condicionador. O sol também contribui bastante para o ressecamento, por isso é importante usar produtos que protegem das radiações.

Hidratação Qualquer que seja o tipo de cabelo ou o problema causado pelos efeitos do verão, o melhor tratamento é a hidratação. Para quem não teve tempo de dar aquela passadinha no salão, Sérgio dá uma dica: "Procure um iogurte natural. Ele pode ser usado como uma máscara por dez minutos, pois age como um hidratante e ajuda a neutralizar o esverdeado dos cabelos loiros".

Cabelos Loiros 
As loiras são as que mais sofrem no verão. No processo de descoloração, os pigmentos escuros, que formam uma pequena proteção aos fios, são retirados, o que deixa o cabelo mais seco. Com a ação do sol, do mar e do vento, isso se intensifica. 
Por isso, Sérgio afirma ser fundamental a hidratação semanal, em casa ou no salão. A cabeleireira Cássia indica o mesmo tratamento, mas afirma que o procedimento realizado no salão tem melhor resultado. "O trabalho feito pelo profissional é mais profundo e direcionado para as necessidades de cada um". 
Outro problema comum entre as loiras é o tom esverdeado que fica nos fios depois de alguns mergulhos na piscina. "Isso acontece porque no cloro existe um pigmento azulado que, misturado com o tom amarelo, dá um efeito esverdeado no cabelo. Para piorar, na praia, por conta do pH alcalino da água associado ao sol e ao vento, os fios ficam porosos e frágeis. O cabelo vira uma palha", compara Sérgio. 
A solução, segundo ele, é simples: molhe o cabelo antes de entrar na piscina ou no mar e passe um produto do tipo leave-in, com filtro solar e silicone. Depois de sair da água, lave os fios com água natural e aplique o leave-in novamente". Mas, se o cabelo já está esverdeado, a dica é usar um xampu antirresíduo, lavar bem e fazer uma hidratação em seguida.

Cabelos Alisados 
Outro tipo de cabelo que exige cuidados nesta época são os que passaram por alisamento, permanente e relaxamento. Segundo Sérgio, o cabelo que passa por esses processos perde a queratina e a elasticidade, o que enfraquece os fios, deixando-os sujeitos à formação de pontas duplas. Para evitar o problema, além dos cuidados essenciais de hidratação, é indicado utilizar produtos específicos para cabelos que passaram por esses processos químicos, que darão mais proteção.

Cabelos Cacheados 
Os fios crespos normalmente são mais ressecados do que os lisos, por isso sofrem mais com a ação do sol, da água do mar e da piscina. Esse ressecamento pode causar aquele efeito frizz ou deixar as madeixas com aspecto arrepiado. O ideal é usar sempre um creme para pentear, que dará peso aos fios, deixando-os no seu devido lugar.

Xô Virose

Beatriz Franco, de Santos
Verão é tempo de sol, calor, praia e muita diversão. Mas também é o período que exige mais cuidado com algumas doenças. Um dos principais problemas, que atinge em especial as crianças, é a diarreia.

De acordo com o clínico geral e chefe da enfermaria clínica do Hospital Guilherme Álvaro, Bruno Pompeu Marques, de Santos, esse é um problema recorrente em períodos muito quentes, pois as altas temperaturas fazem com que os vírus, bactérias e parasitas se proliferem com facilidade. No caso dos vírus a transmissão acontece pelo ar. Já quando a infecção é causada por bactérias, o contágio se dá principalmente pela comida. "No calor, os alimentos perecíveis ficam mais sujeitos à contaminação e, ao serem ingeridos, desencadeiam o processo diarreico", explica.

O distúrbio é caracterizado por um aumento no número de evacuações ou alteração na consistência das fezes. Além disso, pode vir acompanhado por vômitos, náusea e cólica abdominal. Dura, em média, de 5 a 7 dias.
Outras fontes de contaminação são a água, o manuseio de objetos, como utensílios de cozinha contaminados, e higiene pessoal inadequada.

Por isso, algumas atitudes preventivas devem ser tomadas, como a boa higiene das mãos, lavando-as frequentemente, e o uso de água potável no preparo das refeições e bebidas. O especialista orienta beber água engarrafada de boa procedência, ou água natural fervida ou filtrada. Além disso, é indicado evitar comer fora de casa ou frequentar locais de total confiança. É importante também conservar os alimentos embalados, sempre em ambiente refrigerado e livre de insetos e não consumir os que estiverem fora da geladeira por mais de duas horas.

Alguns alimentos como cereais integrais, hortaliças cruas ou cozidas, comidas industrializadas e maionese devem ser evitados. Já os indicados nesses casos são frutas como maçã, pera e banana, consumidos sem casca ou cozidos, e carnes magras brancas.

Além da alimentação, outra fonte de contaminação, especialmente em crianças, é a água do mar, como alerta o pediatra do Hospital Samaritano de São Paulo, Gerson Matsas. "Temos atendido muitas famílias que passaram férias na praia. As crianças acabam ingerindo água enquanto brincam no mar. Caso a praia esteja imprópria para banho, elas serão infectadas".
O pediatra alerta que quanto mais novas, mais suscetíveis elas serão às doenças, pois têm o sistema imunológico mais frágil.

A intensidade dos sintomas pode variar, mas é necessário tomar muito cuidado com a desidratação. "A diarreia muito forte pode evoluir rapidamente e, principalmente em idosos, crianças e pessoas com doenças prévias (como diabetes), até levar a morte se não for tratada rapidamente", explica o clínico Bruno Marques, que ainda faz um alerta: "Nunca tome remédio para segurar o intestino. Isso é perigosíssimo. O que está causando o problema precisa ser eliminado".

Segundo o clinico geral do Hospital Ana Costa, Roberto Debski, de Santos, o ideal é se hidratar. "Caso não haja melhora rápida, o vômito for frequente e a pessoa não conseguir ingerir líquidos, é preciso procurar orientação médica".

10 de janeiro de 2010

Mergulho Seguro

Beatriz Franco, de Santos
Com esse calor, quem resiste a um mergulho refrescante? Hoje, com as piscinas cada vez mais comuns nas áreas de lazer dos condomínios privativos, fica mais fácil brincar com as crianças na água em qualquer hora do dia ou da noite. No entanto, por questões de segurança, a instalação de uma piscina no prédio ou em casa deve ser planejada com muito cuidado, principalmente quando o espaço será frequentado por crianças. 
No Brasil, o afogamento é a segunda causa de morte em crianças entre 1 e 14 anos, atrás apenas dos acidentes de carro. Por esse motivo, especialistas alertam que, antes de mais nada, qualquer piscina, seja em casa ou na área de lazer do condomínio, deve ser cercada por grade de 1,5 metro de altura e que não possa ser escalada. "É essencial que o portão de entrada dessa grade seja trancado com cadeado quando a piscina não estiver em uso. 
A instalação de alarme nessa entrada, que indique quando alguém a ultrapassou, também é uma medida de segurança, inclusive para animais", explica a pediatra Márcia Rodrigues, de Santos. Segundo a especialista, aquelas telas ou capas que cobrem a piscina podem ser usadas, mas nunca substituem a grade. O piso dessa área também não pode ser liso, deve ser anti-derrapante. 
Ela ainda aponta um dado alarmante. "Bastam apenas 10 centímetros de água, ou 200 ml, para encher o pulmão de uma criança. O equivalente a um copinho de plástico de água. Além disso, a cabeça delas é mais pesada do que o resto do corpo, então, qualquer inclinação que faça para frente pode ocasionar uma queda na piscina ou até mesmo em um balde com água". Outro alerta da médica é com relação aos produtos de limpeza da piscina. Assim como qualquer outra substância química utilizada em casa, eles não podem ser deixados ao alcance dos pequenos. 
O pediatra e médico responsável pela UTI Pediátrica da Santa Casa de Santos, Sérgio Luciano Pinto, afirma que depois dos cuidados práticos com a piscina, o mais importante de tudo é nunca descuidar das crianças. "Os pais se distraem e perdem a criança de vista. É justamente nessa hora que os acidentes acontecem". 
A pediatra Márcia Rodrigues confirma essa teoria e acrescenta: "O telefone e a campainha são os maiores motivos de acidentes. Se você está com uma criança na piscina, ou até mesmo na banheira, e o telefone ou a campainha toca, você tem duas opções: deixar tocar ou pegar a criança no colo e levar junto". 
Sérgio Luciano ainda ressalta que a criança não pode se alimentar por pelo menos duas horas antes de entrar na piscina. O ideal é que tome apenas líquidos. "Com a agitação das brincadeiras, pode vomitar e acabar se sufocando". Qualquer pessoa, criança ou adulto, que tome remédios, como anticonvulsivos, também não pode frequentar a piscina sem acompanhamento.

Boias 
Para Márcia, as crianças devem aprender a nadar a partir dos 2 anos e alerta: "Boias de braço e de barriga não servem como proteção. Elas podem furar, desinflar ou serem retiradas pela própria criança. O certo são os coletes salva-vidas, aqueles cor de laranja disponíveis em barcos". 
É importante também que os pais saibam nadar. "A pessoa responsável pelas crianças na piscina obrigatoriamente tem que saber nadar e, de preferência, ter conhecimento de primeiros socorros para casos de emergência", afirma Márcia. Sérgio ainda acrescenta que, mesmo as crianças que sabem nadar, precisam de acompanhamento constante. "Elas são autoconfiantes, acham que sabem tudo e os pais, mais seguros, acabam se distraindo". 
Brincadeiras violentas dentro da água, como os caldos, também são perigosas. Uma atitude simples, que pode afastar o perigo, é retirar os brinquedos de perto da piscina. Eles podem atrair as crianças para perto e causar acidentes. O pediatra Sérgio Luciano finaliza sintetizando: "A principal orientação é nunca deixar as crianças sozinhas. Mas, se por acaso você tem piscina em casa e o seu filho sumiu, lá deve ser o primeiro lugar a procurar. Não vá para nenhuma parte da casa antes de checar a piscina. Em caso de acidente, o pronto atendimento é o mais importante".


Depoimento - Cristina Carvalho de Freitas, mãe de Enzo de 4 anos "Na época, o Enzo tinha dois anos e meio. Nós estávamos em um aniversário na casa de um amigo e o meu filho estava sentado no deck ao lado da piscina junto com outras crianças e alguns adultos, dois inclusive dentro da água em frente a ele. Eram pessoas da minha inteira confiança. 
Eu fui ao banheiro que fica do outro lado da piscina e quando sai, vi o Enzo ainda sentado no deck. Mas alguém atrás de mim me chamou e eu virei. Foi uma questão de segundos até eu ouvir um grito e olhar novamente. Ele já estava dentro d’água e ninguém fazia nada. Meu filho sofreu uma parada cardiorrespiratória. 
Eu senti o chão cair, uma sensação de impotência, desespero. Eu não tinha carro e ninguém que estava na festa se ofereceu para ajudar. Então peguei meu filho no colo e saí me jogando na frente d os carros na rua até alguém parar. Fui até um posto de saúde ali perto, mas o local era completamente despreparado e a única coisa que fizeram foi chamar uma ambulância da Prefeitura para levar a gente para a Santa Casa. 
Somente lá ele foi reanimado. Do momento da parada até a reanimação foram cerca de 30 minutos. Hoje, o Enzo tem 4 anos e está em casa em estado semi-comatoso. Ele não fala, não anda e se alimenta por sonda. Tem atendimento 24 horas, tratamento com fisioterapeuta, fonoaudióloga, tem estímulos o dia todo. 
Durante os sete meses que ele ficou na UTI, eu aprendi tudo sobre enfermagem. Eu sei fazer qualquer coisa para cuidar dele. Eu sei que ele vai se recuperar, eu acredito nisso. Nunca tive dúvidas de que meu filho conseguiria. Tive medo, mas nunca duvidei. 
O que eu recomendo aos pais que têm piscina em casa ou que deixam os filhos frequentarem piscinas de outros lugares é muito cuidado. Nós sempre tivemos piscina e nunca aconteceu nada com ninguém. Nós cuidamos tanto dos filhos dos outros e foi com o nosso que isso aconteceu. Se eu soubesse o que eu sei hoje, não teria saído do lado do Enzo nem um minuto. Se não quiser ter esses cuidados não tenha piscina ou não deixe as crianças perto dela. 
De tudo você aprende uma lição. Eu aprendi a ser forte e a não confiar em mais ninguém."

3 de janeiro de 2010

Beleza Negra

Beatriz Franco, de Santos

A pele negra tem a vantagem de não ficar vermelha e corre menos risco de sofrer queimaduras. Mas isso não significa que possa deixar os cuidados de lado. Para garantir um visual impecável no verão, a dupla protetor solar e chapéu é mais do que bem-vinda. Apesar de resistente ao sol - por possuir mais melanina (substância responsável pela pigmentação) -, a chance de uma pessoa negra ficar manchada é maior em relação às tonalidades mais claras. 
A dermatologista Ana Carolina Junqueira Ferolla, de São Paulo, explica que a pele negra tem uma velocidade de descamação maior "E é por esse motivo que forma manchas rapidamente, deixando a pele acinzentada. E as lesões aparecem principalmente na lateral do rosto". 
Outro detalhe que exige atenção: devido ao tom escuro, é mais difícil identificar doenças, como micoses e alergias. "A melanina é uma proteção excelente, mas não protege contra tudo", diz a dermatologista Maria Cristina Domingues Fernandes, de Santos. Apesar do risco menos de desenvolver câncer, esse tipo de pele não está livre do envelhecimento e fica muito ressecado. Daí a importância do uso frequente de protetor solar e hidratante. 
"A maioria dos negros acha que não precisa de proteção contra os raios solares, mas, sem o filtro, a pele fica ainda mais seca, inclusive com rachaduras", alerta Ana Carolina. A médica indica o uso de produtos com fator de proteção 20. Como a pele do rosto é mais oleosa, o ideal é usar um protetor em gel, sem óleo, nessa região. 
Já no corpo pode ser utilizado o produto em creme ou loção. E a regra é a mesma para todos: aplicar 30 minutos antes de se expor ao sol e reforçar 20 minutos após a chegada à praia ou à piscina. Além, claro, da reposição após cada vez que entrar na água. "Isso aumenta em 70% a proteção". 
Outro toque que vale para todo mundo: Ana Carolina diz que as pessoas costumam passar pouco protetor. Nos testes realizados com os protetores para delimitar o fator de proteção solar (FPS), são usados 2 gramas de creme por centímetro quadrado. 
Já os consumidores costumam passar apenas 0,5 g/cm². "Na quantidade ideal, uma embalagem de 120ml deveria durar cerca de cinco dias para uma pessoa de 1,70 metro de altura. A maioria, no entanto, usa o mesmo protetor durante todo o verão". A questão é que, com a quantidade inferior, um produto com FPS 20 passa a ter um fator de proteção 15 ou até menor.

Cuidados Especiais 
 Boca e pés são as regiões do corpo mais delicadas e que exigem cuidados extras. A dermatologista paulistana diz que, por serem carnudos, os lábios tendem a ressecar mais e os cantos da boca escurecem com facilidade devido à saliva, por isso precisam ser hidratados e protegidos com protetores específicos. 
Já os pés costumam engrossar com mais rapidez. Para evitar o problema, a opção é usar um creme próprio para afinar a pele da região. "E nunca abusar da lixa. Isso serve para qualquer pessoa, inclusive. O excesso de lixamento na sola dos pés faz com que ela engrosse ainda mais na tentativa da pele formar uma proteção natural", alerta Ana Carolina. 
Outra dica da especialista é com relação à maquiagem. Como a pele do rosto negro costuma ser naturalmente oleosa, é essencial uma boa limpeza diária. "A maquiagem pode ser usada normalmente, mas precisa ser muito bem retirada para evitar a formação de cravos e espinhas. O ideal é eliminar o make com um demaquilante à base de água e óleo. Depois disso, vale ainda usar um sabonete neutro, seguido de enxágue abundante e do hidratante específico para o tipo de pele".