26 de abril de 2008

União em alto-mar

Beatriz Franco, de Santos

Os movimentos parecem coreografados, a força e a velocidade lembram uma prova de atletismo. A diferença é que eles estão em um barco, remando sincronizadamente em um cenário invejável. Assim é o treino de uma equipe de canoa havaiana, como a Tribo QPira, de Santos. Juntos há três anos, os atletas do grupo mostram a mesma sintonia dentro e fora do mar, defendendo um esporte ainda pouco divulgado no País, mas que, segundo eles, vem crescendo a cada ano.

Apesar de a equipe ter 13 atletas, na maioria das competições somente seis estão no barco chamado OC 6. A definição de quem fará parte do grupo é feita por uma seletiva para descobrir quem está melhor preparado naquele momento. “Não é que um seja melhor do que o outro, mas é difícil a gente treinar junto sempre. Então, todos treinam todo dia individualmente e se preparam de outras maneiras para ajudar a equipe no campeonato”, diz Felipe Neumann, capitão da equipe.

Com toda essa preparação, a equipe já é tricampeã brasileira, bicampeã sul-americana e coleciona vários outros títulos, como lembra o integrante Thiago Arias. “Nós temos ido bem nas últimas competições, sempre tendo bons resultados no que disputamos.” A última conquista do grupo foi a vitória na Copa Lagoa da Velocidade, no Rio de Janeiro, segunda etapa do Brasileiro de Canoas Havaianas, em duas categorias, open e master. A equipe já tinha vencido a primeira etapa na Volta da Ilha de Santo Amaro e estabelecido novo recorde na prova mais longa da modalidade. A próxima etapa do campeonato acontece em junho, em São Paulo.

Para outro integrante, Celso Filetti, os bons resultados nas competições são fruto dos treinos e da união e amizade que o grupo tem. “Tribo QPira, em tupi-guarani, significa união de peixes e é assim que nós somos: um grupo, unido, sempre remando um pelo outro.”

Ainda recente no País, o esporte traz diferenças

O precursor das canoas havaianas no Brasil foi Fábio Paiva, canoísta de Santos, que foi convidado para fazer parte da equipe Tribo QPira na categoria máster, que venceu a Copa Lagoa da Velocidade. Há oito anos, ele trouxe do Havaí os barcos baseados em canoas utilizadas por colonizadores da Polinésia há milhares de anos.

As diferenças dela para a conao tradicional são o tamanho do barco, o remo de uma pá só e o apoio lateral, que evita que ele vire. A grande vantagem, segundo Celso Filetti, é poder navegar em qualquer condição do mar. “As canoas normais só podem navegar com mar parado. A havaiana não, por causa do apoio que ela tem. Ale disso, ela é mais confortável porque não temos que ficar sentados num ângulo de 90 graus.”

A canoa havaiana tradicional tem seis remadores e cada um tem papel fundamental, como explica Felipe Neumann. “Os bancos 1 e 2 dão o ritmo do barco, os 3, 4 e 5 são os da força e o 6 é o capitão da equipe, que vê todo mundo e controla a direção do barco.”

24 de abril de 2008

Violência sem limites

Beatriz Franco

A imprensa é chata, eu assumo, principalmente a esportiva. É parcial grande parte das vezes e não dá espaço para os clubes pequenos mesmo quando estão em bons momentos (às vezes não dá nem para os grandes). Temos vários defeitos, mas nenhum deles justifica agressão. A confusão ocorrida nos portões do Estádio Moisés Lucarelli, da Ponte Preta, foi absurda.

Pra quem não sabe, ontem à tarde, vários jornalistas foram agredidos e insultados por alguns torcedores da Ponte que faziam um churrasco nos arredores do estádio. Segundo os agressores, o motivo foi a falta de ingressos para o jogo da final do Paulista (a venda só começou hoje), o treino secreto realizado pelo técnico Sérgio Guedes que impediu a entrada no campo e a falta de apoio ao clube pelos meios de comunicação.

O jornal LANCE! foi o mais atingido. Torcedores jogaram latas, xingaram e cercaram os carros do jornal, fazendo até com que a diretoria autorizasse a entrada dos repórteres antes do planejado para evitar maiores confusões.

1º - Se anunciaram que os ingressos só seriam vendidos hoje, não reclamem porque ontem eles estavam em falta. É questão de lógica.

2º - Se o técnico quis fazer um treino secreto, o problema é dele. Todos eles fazem isso. A imprensa também não é autorizada a ver o treinamento, somente o que acontece depois dele.

E 3º - A imprensa não serve para apoiar ninguém, muito menos um time de futebol, para isso existem os patrocinadores. Sei que muitas vezes a mídia sai da linha, mas não quer dizer que esteja certo.

Vários veículos abrem espaço para torcedores darem suas opiniões sobre seus clubes, alguns podem até não ser publicados, mas com certeza são lidos, usem então, esse espaço para suas reclamações. O repórter está lá trabalhando, na maioria das vezes, fazendo apenas o que lhe mandaram, a culpa da falta de divulgação de alguns clubes não é dele. É uma discussão muito maior.

Não queremos que os leitores, telespectadores e ouvintes concordem com o que é publicado, apenas que respeitem, pois só fazemos nosso trabalho da melhor forma possível.

9 de abril de 2008

Esporte e Política

Beatriz Franco

Apesar do esporte fazer parte da minha vida desde sempre (às vezes contra a minha vontade), só nos últimos meses tenho realmente dado atenção a ele, seja qual for a modalidade. Pensando sobre isso e lendo alguns textos sobre jornalismo na área esportiva, percebi o que é muito óbvio, mas muitas pessoas não dão atenção. O esporte é uma das poucas áreas dessa profissão em que se pode fazer ligações com qualquer assunto. É possível relacionar com economia falando sobre as dívidas dos clubes ou a dificuldade financeira de alguns atletas; com variedades, relacionando à vida pessoal dos esportistas; algumas vezes com polícia, quando a indisciplina ultrapassa os parâmetros aceitos; e também com política, o assunto do qual este texto trata.

Quando o esporte se assemelha à política perde toda a leveza e bom humor que é comum e torna-se uma grave discussão a respeito de algumas questões. O objetivo todo desta explanação é comentar sobre os protestos tibetanos na China durante os preparativos para as Olimpíadas. É um caso delicado, que requer paciência e compreensão de todas as partes.

No começo de março, 5 meses antes dos Jogos Olímpicos, o líder budista Dalai Lama denunciou os abusos feitos pelo governo chinês à população do Tibet, como repressão, violação aos direitos humanos e negação da liberdade religiosa. O fato não era segredo a ninguém, mas a declaração do budista soa estranha, pois ele sempre tratou o caso com grande moderação. Portanto, esta denúncia próxima aos Jogos é uma clara tentativa de prejudicar a organização do evento. Até aí, sem problemas. Não há momento melhor para isso do que quando os olhos do mundo estão voltado para a China. A atenção é certa. Mas a maneira como algumas coisas vêm sendo feitas me incomoda.

Protestos durante a passagem da tocha eu apoio em termos. Façam manifestações, gritem, levem faixas, vão em cima da imprensa, mas não atrapalhem um momento que, além de histórico, é uma homenagem a vários atletas que não tem nada a ver com a opressão da China. Esse é o momento deles! Eles lutaram por isso! Da mesma maneira, não concordo com o boicote às Olimpíadas. O país sede tem agido de maneira absurda, critiquem, denunciem, mas, novamente, os atletas não tem nada a ver com isso. Imaginem a frustração que terá um profissional que passa quatro anos treinando tendo como meta a vitória nos jogos não recebendo a atenção que merece, sendo desrespeitado durante sua prova. Isso não se faz.

Novamente digo, protestem, gritem, levem faixas. Os atletas que concordam com as críticas protestem no pódio. Mas não estraguem um momento único dos esportistas, as pessoas mais importantes da festa.