Beatriz Franco, de Santos
Os movimentos parecem coreografados, a força e a velocidade lembram uma prova de atletismo. A diferença é que eles estão em um barco, remando sincronizadamente em um cenário invejável. Assim é o treino de uma equipe de canoa havaiana, como a Tribo QPira, de Santos. Juntos há três anos, os atletas do grupo mostram a mesma sintonia dentro e fora do mar, defendendo um esporte ainda pouco divulgado no País, mas que, segundo eles, vem crescendo a cada ano.
Apesar de a equipe ter 13 atletas, na maioria das competições somente seis estão no barco chamado OC
Com toda essa preparação, a equipe já é tricampeã brasileira, bicampeã sul-americana e coleciona vários outros títulos, como lembra o integrante Thiago Arias. “Nós temos ido bem nas últimas competições, sempre tendo bons resultados no que disputamos.” A última conquista do grupo foi a vitória na Copa Lagoa da Velocidade, no Rio de Janeiro, segunda etapa do Brasileiro de Canoas Havaianas, em duas categorias, open e master. A equipe já tinha vencido a primeira etapa na Volta da Ilha de Santo Amaro e estabelecido novo recorde na prova mais longa da modalidade. A próxima etapa do campeonato acontece em junho,
Para outro integrante, Celso Filetti, os bons resultados nas competições são fruto dos treinos e da união e amizade que o grupo tem. “Tribo QPira, em tupi-guarani, significa união de peixes e é assim que nós somos: um grupo, unido, sempre remando um pelo outro.”
Ainda recente no País, o esporte traz diferenças
O precursor das canoas havaianas no Brasil foi Fábio Paiva, canoísta de Santos, que foi convidado para fazer parte da equipe Tribo QPira na categoria máster, que venceu a Copa Lagoa da Velocidade. Há oito anos, ele trouxe do Havaí os barcos baseados em canoas utilizadas por colonizadores da Polinésia há milhares de anos.
As diferenças dela para a conao tradicional são o tamanho do barco, o remo de uma pá só e o apoio lateral, que evita que ele vire. A grande vantagem, segundo Celso Filetti, é poder navegar em qualquer condição do mar. “As canoas normais só podem navegar com mar parado. A havaiana não, por causa do apoio que ela tem. Ale disso, ela é mais confortável porque não temos que ficar sentados num ângulo de 90 graus.”
A canoa havaiana tradicional tem seis remadores e cada um tem papel fundamental, como explica Felipe Neumann. “Os bancos 1 e 2 dão o ritmo do barco, os 3, 4 e 5 são os da força e o 6 é o capitão da equipe, que vê todo mundo e controla a direção do barco.”