27 de fevereiro de 2016

Camarão: o queridinho das areias

Sei que estamos numa época de valorização da comida mais saudável e natural, com menos gordura e mais frescor. Ok, eu apoio esse movimento e também busco isso no meu dia a dia. Mas, não dá pra negar: aquele cheiro de camarão recém-frito vindo do quiosque é irresistível! Então, apenas por um dia, um sábado na praia, vamos abrir mão do natural e falar desse queridinho das areias, o camarão.

O que mais ouço dos meus amigos paulistanos quando vêm me visitar é: “estou na praia, quero comer peixe/ quero comer camarão”. Até parece que no litoral só tem isso, mas, ok, entendo a preferência. A principal vantagem de comer peixe ou frutos do mar em cidades de praia é que, em geral, eles são mais frescos do que os de São Paulo onde você só encontra congelados no mercado.

Sendo assim, já que essa é a prioridade alimentar na visita ao litoral, vai a primeira dica: evite comer camarão vendido diretamente na areia, em carrinhos ou isopores. É mais difícil garantir a procedência e a higiene dele, principalmente por ficar exposto ao calor o dia inteiro. Já que ninguém quer passar o resto das férias no banheiro do hotel ou, pior, tomando soro no pronto-socorro, opte por pedir essa delícia em quiosques ou restaurantes que tenham freezer para armazenar de forma correta. Caso seja muuuuito difícil resistir quando aquele cheirinho te atrair na areia, dê preferência por consumir de manhã, para garantir que o produto esteja mais fresco e tenha passado menos tempo fora do gelo.

Aí, já em um lugar seguro e confiável, surge a dúvida: camarão à paulista ou à milanesa? Minha resposta ideal seria “os dois”, mas eu estou sempre com fome como a gente sabe que a grana não está sobrando pra todo mundo, vou tentar ajudar você a sair dessa indecisão.

O camarão à paulista é aquele frito com casca e tudo – em alguns lugares até com cabeça, mas vai de gosto -, acompanhado de um bom tempero de alho, salsinha e suco de limão. O ideal é que ele seja feito com camarão rosa ou algum tipo grande, senão depois de frito, você vai comer só casca. Eu gosto bastante desse tipo porque acho mais fresco e leve pra comer num quiosque à beira-mar. No Rio de Janeiro, ele também costumava ser vendido em espetinhos, mas essa venda por ambulantes havia sido proibida na cidade justamente por causa do risco à saúde. Não sei como está essa regulamentação hoje.

Já o camarão à milanesa ou empanado pode ser feito com camarões menores e sem a casca. Esse dá mais trabalho porque precisa ser passado no ovo e na farinha antes de fritar, então é normal custar um pouco mais caro. Ele também costuma vir acompanhado de limão, molho tártaro ou molho rosé. Por ter essa camada de ovo e farinha, ele é mais pesado para comer do que o paulista, mas cai muito bem como um aperitivo pré-almoço ou se for a única coisa a comer naquela refeição.

No fim das contas, camarão é maravilhoso só por ser camarão, então fique à vontade e faça sua escolha. Não preciso nem dizer que ele combina muito bem com uma cervejinha bem gelada, mas como essa não é a minha praia (ignorem o trocadilho), deixo pra coluna do meu colega Otavio Corsini. Boa praia!


2 de fevereiro de 2016

Vem rápido antes que derreta!

Imagina comigo: fim de semana, solzão torrando 35 graus lá fora e você de folga pingando no sofá em São Paulo. Migo, ta errado! Pega o carro, a moto, o ônibus, a mobilete e desce pra praia! Aqui tem sol, mar, areia, vento, pessoas com pouca roupae o melhor: muita comida boa! Esse é o papo dessa nova coluna pra você conhecer tudo o que envolve aquela isca de peixe ou camarão à paulista que já comeu à beira-mar.

E como verão e calor combinam com coisa gelada, o papo de hoje é sobre o apaixonante sorvete. Só que por mais incrível que pareça, essa delícia à base de leite, frutas e doces é muito mais consumida nos países mais frios do mundo. Enquanto aqui no Brasil a média de consumo anual é de 3 kg por pessoa, na Nova Zelândia esse número sobe para 12,8 kg por pessoa!! Logo na sequência estão Austrália, Estados Unidos e Finlândia (dados de 2014 da Associação Brasileira das Indústrias e do Setor de Sorvete). E você botando a culpa dessas gordurinhas no excesso de sorvete, hein?!

O sorvete (ou algo próximo do que consumimos hoje) surgiu há mais de 3000 anos quando os chineses misturaram neve com frutas. Depois passou pelos árabes, gregos, italianos e franceses, sempre da alta sociedade, até se transformar no que tomamos hoje. Naquela época não existiam os tiozinhos empurrando carrinhos da Kibon pela areia e gritando “Sorvete, sorvete”. Era só pra gente fina e elegante. No Brasil, ele chegou em 1834, mas o curioso é que como não existia freezer, ele não durava muito tempo, então os cafés e confeitarias faziam anúncios informando o dia e hora que ele seria produzido para as pessoas irem comprar antes que tudo derretesse. O primeiro sorvete industrial veio somente em 1942, o Eski-bon.

Hoje em dia, muitas marcas investem em novos sabores de frutas típicas nacionais como mangaba, pitanga e umbu, mas a preferência ainda tem sido dos queridinhos chocolate e baunilha, apesar de serem menos refrescantes.

Então, da próxima vez que estiver lá sentado debaixo do guarda-sol se refrescando com seu picolé ou na sorveteria vendo a atendente misturar os sabores numa pedra fria, aproveite cada gotinha, porque deu muito trabalho até ele chegar assim geladinho e saboroso nas suas mãos.