11 de maio de 2014

Coisas que eu nunca te falei

Vi um vídeo essa semana com mães homenageando as filhas – que também já são mães – e falando várias coisas que nunca haviam dito antes. Resolvi roubar a ideia, mas como não sou mãe, fica um pouco diferente.

Dizem que mães são todas iguais, só muda o endereço… mas também cada filho diz que sua mãe é a melhor do mundo. Acredito que as duas frases devem ser verdadeiras, mas, pra mim, você (além de ser a melhor do mundo) também tem características exclusivas e especiais.

Eu sempre digo pra todo mundo com muito orgulho, mas acho que nunca disse pra você, que te considero minha melhor amiga. Sempre foi. Mesmo quando era a adolescente chata, birrenta e que chamava várias outras de melhores amigas. Mas só pra você sempre confidenciei tudo, mesmo quando eram coisas tristes, problemas ou assuntos tão delicados que tinha vergonha e precisava tomar coragem pra contar. Por mais difícil que fosse, não poder me abrir com você sempre trazia uma sensação mil vezes pior.

Nunca te falei também o quanto te acho forte. Meu Deus, quantas vezes eu já quis ter metade da sua força pra suportar as coisas, segurar a onda e me manter em pé. Você sempre esteve. Mesmo nos momentos em que podia – e deveria – se deixar enfraquecer e ser amparada. Eu sempre lembro como você foi firme quando a vovó faleceu, mesmo sendo a única filha (mulher) e sabendo que estava completamente destroçada por dentro. Ou quando nos momentos de dificuldades financeiras, você sempre segurou a barra de manter o astral de todos pra cima e foi buscar alternativas de conseguir um dinheirinho com suas vendas de bijus, lingeries e o que mais precisasse. Forte nos momentos em que nem sabia o que fazer ou falar, mas só respirava fundo, fazia aquelas suas orações internas e seguia em frente com a intuição. E quase sempre dava certo.

Nunca te disse como admiro sua fé. I-na-ba-lá-vel! Não importa o quanto puderem tentar te fazer desacreditar, mistificar, atrapalhar, jamais conseguirão. Afinal, nosso Pai e os orixás são maiores do que tudo, como você me ensinou. Eu aqui, no meu começo de estudo da Umbanda – fortemente incentivado por você, aliás -, desejo chegar ao grau de conhecimento que você tem sobre o assunto e conseguir manter minha fé sempre assim, constante e firme.

Sua energia, sua força de vontade, seu ânimo, sua característica de ser pau pra toda obra. Às vezes fico cansada só de ouvir tudo o que você fez em um dia! E ainda guarda um gás se rolar algum programa legal pra noite. Eu nos meus 26 anos, muitas vezes só tenho vontade de ficar em casa no sofá.

Seu amor e sua boa vontade em ajudar os outros. Todo mundo e qualquer um! Sem se preocupar se é amigo, vizinho, conhecido, ou até uma pessoa não muito querida. Se você puder ajudar, fará de coração. Mesmo já tendo sido magoada por essas pessoas logo na sequência, o coração e os braços abertos nunca desistiram. Acho isso lindo!

Ontem você brincou sobre mãe ser o primeiro exemplo de beleza. Mas é claro que foi! Mesmo não chegando no seu nível de “peruíce”, hahaha, ver você sempre bem cuidada, arrumada, se produzindo pra sair, foi meu aprendizado de “ser feminina”. Você é linda! Morando separadas sinto tanta falta de me arrumar e parar na sua frente pra perguntar se a roupa está boa. E muitas vezes entender que não estava só pelo seu silêncio. Aliás, outra habilidade que nós temos: conversar sem palavras. Saber quando uma ou a outra está bem ou mal, precisando conversar ou ficar sozinha, só no olhar.

Por fim (porque eu já estou chorando escrevendo e sei que você também, lendo), o que talvez eu tenha dito poucas vezes é que tenho um orgulho imenso de você! De quem você é, de como você pensa, de como você vive, de tudo o que fez e faz por mim e pela nossa família e de ser sua filha. Cada vez que me ouço falando como você ou olho no espelho e vejo um traço em mim que lembra você, dou risada e agradeço à Deus por ter me dado a honra e a oportunidade de ser sua filha e sua amiga.

Te amo muito ontem, hoje e sempre! Feliz dia das mães!


1 de maio de 2014

Corpo são, mente sã... e o trabalho?

Nos últimos anos tem sido bem comum ouvir amigos ou colegas de trabalho comentando – e orgulhando-se – de trabalhar 10 ou 12 horas em um dia, às vezes vários dias na semana. Fazer hora extra e, na maioria das vezes, não receber por isso tem sido cada vez mais comum e aceitável entre profissionais de alto nível escolar. E quando falo dessas pessoas, não cito somente executivos, gerentes e profissionais com cargos de liderança. Também incluem-se nesses casos analistas, assistentes e estagiários. O que mais me assusta é que esse trabalho “grátis” além do expediente é, muitas vezes, visto como vantagem, dedicação e recompensado com reconhecimentos e promoções de cargo.

Não me acho dona da razão, mas na minha opinião, algo está muito errado. Em séculos passados era comum a carga horária extensiva, de 16 ou 18 horas, ou até mesmo ininterrupta como antes da Revolução Industrial. Afinal, não havia regulamentação, CLT, controle, etc. Quanto lutamos para que a jornada de trabalho de 44 horas semanais fosse aceita? Para que a norma implementada inicialmente por Henry Ford de 8 horas de trabalho, 8 horas de lazer, 8 horas de descanso fosse regulamentada? Estamos em 1º de maio de 2014, Dia do Trabalho, e a impressão é que estamos voltando no tempo.

Sim, em alguns casos, é normal trabalhar além do horário para um projeto especial ou em um imprevisto. Mas, diariamente ou metade dos dias  da semana está errado. Ou há falta de organização ou a demanda está maior do que o profissional pode assumir. Eu não consigo imaginar que um profissional que já esteja trabalhando há 10 horas  ainda consiga ser produtivo e cumprir suas funções com qualidade. O descanso – do corpo e da mente – é essencial para um bom desenvolvimento do trabalho. O difícil é que as pessoas que não se adequam a esse ambiente de trabalho excessivo são vistas como preguiçosas, folgadas e têm dificuldade em se encaixar nas empresas.

É muito importante gostar do trabalho que você faz, é essencial sentir-se bem no seu ambiente de trabalho, mas daí a passar mais tempo nesse ambiente do que na sua casa com a sua família ou divertindo-se com amigos surge uma grande diferença. A ferramenta dos profissionais de hoje é sua mente e se ela não é respeitada e bem tratada, o resultado certamente será negativo.

“Não é sinal de saúde estar bem adaptado a uma sociedade doente” – Jiddu Krishnamurti, filósofo e educador indiano