“Nunca entro para perder!” É com essa determinação que a mesa-tenista Lizie Silva Rodrigues, de 17 anos, vem conquistando seu espaço no esporte. Ela venceu as Olimpíadas Escolares, que aconteceram em João Pessoa, na Paraíba, e foi campeã por equipe dos jogos Abertos do Interior este ano.
Competitiva, como ela mesma se assume, Lizie realmente vive para o tênis de mesa. Praticante desde os 8 anos de idade, a moradora da Vila Mathias, em Santos, treina diariamente em dois períodos e, agora que está de férias, irá intensificar a preparação. “Agora vou treinar de manhã e das 14h às 20h30, mais ou menos.”
Essa dedicação justamente na fase em que os jovens querem mais é se divertir e descansar tem um motivo: a seletiva para a Seleção Brasileira, que acontece nos dias 27 e 28 deste mês para adultos e 10 e 11 de janeiro para juvenis, em São Paulo. “Cansa muito, mas eu penso na seletiva e vou em frente.”
Apesar do grande apoio que recebe da família e dos amigos, algumas atividades rotineiras de uma adolescente, como sair com os amigos e viajar, acabam ficando de lado. “Meus amigos sempre chamam, mas não dá. Ou estou treinando ou viajando pelas competições.”
Mas Lizie não reclama. “Para chegar em algum lugar, a gente tem que abdicar de algumas coisas.” Além do estresse e do cansaço trazidos pela vida de atleta, ela terá algo mais para se preocupar neste fim de ano: os estudos para o vestibular. Recém-formada no Ensino Médio, ela pensa em cursar a faculdade de Jornalismo.
Se a vida imita a arte. O lutador de muay thai Diego Sebastião pode ser considerado um exemplo disso. Apaixonado por filmes de luta, ele sentiu-se em um quando participou do Santos Fight Festival, que aconteceu na Cidade no início do mês. Ao entrar no ringue para fazer a única luta de muay thai da noite, Diego viu e ouviu todo o público gritando seu nome. “Me senti o Rocky do filme.”
Com esse incentivo, não poderia haver outro resultado: venceu o adversário Diego Gaúcho. “É muito bom lutar em casa. Esperava esse apoio do pessoal da academia, mas não de todo mundo como foi.”
Diego diz que no início sua família tinha preconceito com o esporte, mas hoje o apóia. “Até minha mãe assiste. No Santos Fight Festival meu irmão quase morreu do coração.”
A luta entrou na vida de Diego aos 14 anos. Indicado por um amigo, escolheu o muay thai por ter mais contato com o adversário. “Já tinha feito capoeira, mas você não se aproxima do outro, não é a mesma coisa.” Hoje, aos 24 anos, é professor da modalidade e coleciona títulos, como os de campeão paulista, pan-americano amador e sul-americano profissional.
Tudo isso à base de muita dedicação. Ele treina 8 horas por dia, além de dar aulas. E se considera um professor chato. “Pego no pé mesmo. Ensino da mesma maneira que aprendi.”
Mas essa vida dedicada ao esporte cobra um preço: o cansaço que não o deixa fazer nada e a falta de tempo para o amigos e a família. “É difícil ir aos aniversários dos sobrinhos, casamento dos amigos. Meu tempo livre serve para dormir e jogar videogame.”
Mas nada tira o ânimo de Diego, que quer muito mais. “Ainda não estou no topo, mas quando chegar, quero me manter porque não terei outra chance.”
Muay thai prega o respeito
Uma das principais características do muay thai é o respeito que os lutadores têm pelo esporte e pelos profissionais. Antes de entrar no tatame (descalços), todos os atletas fazem uma reverência (com as mãos em forma de oração), gesto repetido para os colegas e professores.
“Ao contrário do que muitos pensam, o muay thai é um esporte de verdade, tem regras, não tem nada de violento”, explica Diego, que lamenta o preconceito contra a modalidade e a falta de conhecimento dos eventos que acontecem na Cidade.
Outro aparato utilizado por alguns lutadores nas competições e que tem grande simbologia é o mongkol (lê-se moncol), uma espécie de faixa que é colocada na cabeça do atleta pelo professor. Segundo Diego, o mongkol representa o mestre, que o coloca quando sabe que o aluno está preparado para a luta. “É como um alvará do mestre. Significa que nada está acima de mim.”
Marcos Paulo Andrade tem 17 anos e pratica tênis de mesa e caratê. Marcos José Silva, também conhecido como Pelezinho, tem 53 anos, dá aula de futsal para crianlas de Vicente de Carvalho, é técnico do time do Sindicato dos Funcionários Públicos de Guarujá e também treina caratê.
Além do nome, pai e filho também dividem a paixão pelos esportes. O envolvimento da família só não é maior porque a filha Marta, de 30 anos, precisa ficar em casa cuidando da mãe, Marilda, que está doente. “Mas elas ajudam arrumando as roupas e dando apoio”, explica o pai.
“Sempre gostei de futebol, mas achava o caratê muito bonito. Então, incentivei o meu filho a praticar.” Depois de um tempo aconteceu o inverso. Sendo sempre acompanhado pelo pai nas aulas, foi a vez de Marcos Paulo sugerir que ele participasse dos treinos. “Hoje a gente treina junto. Eu treino há 11 anos e ele só há três. Então, eu ensino algumas coisas pra ele.”
E, com certeza, os dois têm muito a ensinar para todo mundo. Pela paixão pelo esporte, pai e filho, moradores do Pae Cará, em Vicente de Carvalho, treinam em São Vicente desde que a academia onde treinavam em Guarujá fechou. Três noites por semana, os dois fazem o longo trajeto em um Fusca 78 e voltam para casa depois de meia-noite.
Mesmo assim, Pelezinho não abandona seus times de futebol, continua treinando cerca de 50 garotos moradores do bairro e os colegas do Sindicato. Além disso, ainda arruma tempo para trabalhar na Prefeitura da cidade e ir à igreja. “Trabalho todos os dias. Aí, segunda, quarta e sexta vamos pro caratê, nos outros dias treino o futebol e no domingo vou à igreja de manhã e à noite.” Descanso? “Só domingo à tarde.”
Dificuldades – A única reclamação da dupla é não poder participar de mais competições. Marcos Paulo já foi convidade pela Federação Paulista de caratê para participar de campeonatos na Itália e na Romênia, mas não pode ir por falta de dinheiro. “Fiz até um livro de ouro, pedi para os amigos ajudarem, mas precisava de cerca de R$ 3 mil e só consegui R$ 500,00”, lamenta Pelezinho.
Ainda assim, pai e filho não desistem e comemoram o ano de 2008, em que ficaram em primeiro lugar no ranking da Federação paulista de Caratê Interestilos. “Foi uma no muito bom. As dificuldades são grandes, mas nosso amor pelo esporte é maior ainda”, completa o pai.
O pugilista baiano, radicado na Baixada Santista, Carlinhos Furacão somou mais uma vitória e um nocaute em seu cartel, neste domingo. O atleta venceu o paraguaio Feliciano Azuaga e conquistou o cinturão Fedebol da categoria pena da Associação Mundial de Boxe. A luta aconteceu no Ginásio Robinho, em São Vicente.
Agora, Furacão soma 23 vitórias em 24 lutas, sendo 18 por nocaute e deve aparecer no próximo ranking mundial da Associação entre os 15 primeiros da categoria até 57,1kg. “Este cinturão tem a mesma importância para mim que todos os outros, mas um gostinho especial por causa do ranking que me dará mais chances no mundial”, explica Furacão.
Apesar do nocaute, Carlinhos Furacão afirma que a luta foi difícil, pois o adversário é muito bem preparado, com quase 100 lutas na carreira, mas que havia treinado para alcançar esse resultado. “Eu vinha treinando forte, me preparei muito bem para essa luta e conquistei o que queria. Não quero subestimar o adversário, mas entro pra vencer”, conta o boxeador que encerrou a luta por nocaute técnico no sexto round, depois de derrubar o adversário paraguaio três vezes no mesmo assalto.
O boxeador explica que apesar de seu objetivo ser sempre ganhar as lutas, o nocaute não é a intenção principal. “Não busco o nocaute, ele acontece naturalmente, é conseqüência da preparação.”
O pugilista agora está de folga até o começo de janeiro, quando voltará a treinar para outra luta marcada para fevereiro, mas ainda sem adversário definido. “No ano que vem vou batalhar pelo sonho de qualquer boxeador, que é participar do Mundial, no fim do primeiro semestre. Não sei ainda onde será, mas esta é minha meta.”
Infelizmente não pude ver o jogo da final da Copa do Brasil de Futebol Feminino, no qual o Santos venceu o Sport por 3 a 0, sagrando-se campeão. Contudo, não poderia deixar de dar uma palavrinha aqui no blog sobre isso. Quem quiser mais detalhes sobre o jogo pode acessar o Blog do Torero, que esteve no estádio e fez um texto excelente descrevendo muito bem a partida. (http://blogdotorero.blog.uol.com.br/)
Mas como jornalista não sabe ficar sem dar opinião, vou dar meus pitacos também. Desde o início deste blog, tentei, na medida do possível, divulgar os acontecimentos relacionados ao futebol feminino no país e, por motivos óbvios, muitas vezes isso aconteceu em forma de crítica. No entanto, às vezes chega a hora de elogiar.
Essa foi a segunda edição da Copa do Brasil, a única competição nacional dedicada ao futebol feminino e já foi possível perceber algumas evoluções com relação à organização do ano passado. Times melhores distribuídos nas chaves e jogos mais planejados. Para uma instituição do nível da CBF ainda há muito a ser melhorado, como por exemplo, a divulgação no próprio site da confederação que deixa muito a desejar para a imprensa e o fato de terem entrado em recesso antes do fim da competição. Mas, como o futebol feminino por aqui caminha a passos de formiguinha, acredito que ano que vem teremos mais evoluções.
Com relação às equipes, infelizmente só posso falar sobre o Santos, pois é o mais próximo e com o qual já trabalhei. Existem problemas, acho um absurdo o time não ter jogado nenhuma vez na Vila Belmiro (os jogos foram mandados no Estádio Ulrico Mursa, da Portuguesa Santista). Com o perdão do trocadilho, isso faz com que as atletas sintam-se um peixe fora d'água dentro da própria casa.
Porém, o Santos é o único time do país e, especialmente em São Paulo, a tratar o grupo feminino realmente como profissional. As jogadoras recebem salário, tem moradia dada pelo clube na cidade, transporte e comissão técnica de alto nível. A isso é preciso dar o braço a torcer. Falando como alguém que acompanha as Sereias desde o ano passado, é nítida a mudança de atitude das próprias atletas. Deixaram de aceitar qualquer coisa que receberem para realmente se verem como jogadoras profissionais.
Por esses motivos, quero parabenizar todos os que fizeram com que esta Copa do Brasil desse certo, a todas as equipes e em especial as Sereias da Vila que fizeram um belíssimo campeonato vencendo todos os jogos disputados. Que a competição de 2009 seja melhor ainda (e que isso não seja apenas um desejo de Ano-Novo).
Não posso esquecer também de elogiar o público que compareceu em bom número para assistir a final. Continuem assim em todos os jogos!
Este será meu último post do ano. Da minha parte agradeço por um ano de muitas realizações e conquistas e que meu início profissional em 2009 seja tão bom quanto foi o último ano da faculdade.
Desejo a todos os leitores um Feliz Natal e um Ano-Novo cheio de alegrias. Até 2009!
Basta não tomar gols. Esse é o principal objetivo da equipe feminina do Santos, que disputa hoje a última partida da final da Copa do Brasil com o Sport. Depois de vencer o primeiro jogo por 3 a 1, na Ilha do Retiro, em Recife, as Sereias podem perder por até um gol de diferença que ainda assim serão campeãs. O jogo acontece às 19 horas no Estádio Ulrico Mursa (Av. Pinheiro Machado, 240, Marapé). A entrada custa R$ 2,00.
De acordo com as estatísticas a tarefa será fácil. Invicto no campeonato, o Santos venceu os oito jogos que disputou, marcou 25 gols e sofreu 4, tendo uma das defesa menos vazadas da Copa. Com isso, o setor de maior importância hoje será a defesa.
Apesar de confirmar a responsabilidade, a zagueira Aline Pellegrino lembra que a marcação precisa ser feita por todo o time. “É uma pressão que recai sobre a zaga, mas é um todo. Então, a gente vai precisar que essa atenção , essa marcação comece do ataque.”
Quem confirma esse apoio do time é a zagueira Calan, que esteve disputando o Mundial Sub-20 com a Seleção Brasileira e voltou apenas nas quartas-de-final da Copa do Brasil. Para ela, a vantagem do Santos é a união das atletas. “É difícil a gente jogar defensivamente. Nosso time é muito compacto. Até porque o ataque marca, o meio marca, a zaga e as laterais marcam. A gente vai sair pra cima delas.”
A goleira Kaká diz que a vantagem é positiva, mas que o time vai entrar para vencer o jogo. “Independentemente da vitória, a gente tem que chegar lá com a mesma força e até mais para sair com a vitória e não tomar gols.”
Para o técnico Kleiton Lima, justamente por terem a vantagem, as atletas terão que agüentar a pressão das adversárias, que precisam fazer pelo menos dois gols para levar a decisão para os pênaltis. “A gente sabe que elas vão vir se atirando para cime, mas nós estamos preparados para enfrentar o Sport e fazer um bom trabalho para sermos campeões.”
Time superou resultados do ano passado
Na 2ª edição da Copa do Brasil de Futebol Feminino, o Santos saiu da péssima campanha em 2007, sendo desclassificado na primeira fase pelo Botucatu, para o campeonato quase garantido neste ano.
Segundo o técnico Kleiton Lima, a principal diferença é que na primeira fase do campeonato de 2007 o time caiu numa chave difícil, com as principais equipes do estado, o que não aconteceu este ano.
Mas, mesmo com toda a alegria de chegar à final, uma coisa que incomoda ao técnico e às jogadoras é não terem jogado na Vila Belmiro na Copa. Depois do Brasileiro masculino, o estádio entrou em reforma. “A gente fica um pouco triste, mas entende a diretoria”, lamentou Lima.
Para Aline Pellegrino, o mais importante agora é contar com a torcida. “Independentemente do campo, o apoio da torcida é o que dá o clima de final.”