Beatriz Franco, de Santos
Se a vida imita a arte. O lutador de muay thai Diego Sebastião pode ser considerado um exemplo disso. Apaixonado por filmes de luta, ele sentiu-se em um quando participou do Santos Fight Festival, que aconteceu na Cidade no início do mês. Ao entrar no ringue para fazer a única luta de muay thai da noite, Diego viu e ouviu todo o público gritando seu nome. “Me senti o Rocky do filme.”
Com esse incentivo, não poderia haver outro resultado: venceu o adversário Diego Gaúcho. “É muito bom lutar
Diego diz que no início sua família tinha preconceito com o esporte, mas hoje o apóia. “Até minha mãe assiste. No Santos Fight Festival meu irmão quase morreu do coração.”
A luta entrou na vida de Diego aos 14 anos. Indicado por um amigo, escolheu o muay thai por ter mais contato com o adversário. “Já tinha feito capoeira, mas você não se aproxima do outro, não é a mesma coisa.” Hoje, aos 24 anos, é professor da modalidade e coleciona títulos, como os de campeão paulista, pan-americano amador e sul-americano profissional.
Tudo isso à base de muita dedicação. Ele treina 8 horas por dia, além de dar aulas. E se considera um professor chato. “Pego no pé mesmo. Ensino da mesma maneira que aprendi.”
Mas essa vida dedicada ao esporte cobra um preço: o cansaço que não o deixa fazer nada e a falta de tempo para o amigos e a família. “É difícil ir aos aniversários dos sobrinhos, casamento dos amigos. Meu tempo livre serve para dormir e jogar videogame.”
Mas nada tira o ânimo de Diego, que quer muito mais. “Ainda não estou no topo, mas quando chegar, quero me manter porque não terei outra chance.”
Muay thai prega o respeito
Uma das principais características do muay thai é o respeito que os lutadores têm pelo esporte e pelos profissionais. Antes de entrar no tatame (descalços), todos os atletas fazem uma reverência (com as mãos em forma de oração), gesto repetido para os colegas e professores.
“Ao contrário do que muitos pensam, o muay thai é um esporte de verdade, tem regras, não tem nada de violento”, explica Diego, que lamenta o preconceito contra a modalidade e a falta de conhecimento dos eventos que acontecem na Cidade.
Outro aparato utilizado por alguns lutadores nas competições e que tem grande simbologia é o mongkol (lê-se moncol), uma espécie de faixa que é colocada na cabeça do atleta pelo professor. Segundo Diego, o mongkol representa o mestre, que o coloca quando sabe que o aluno está preparado para a luta. “É como um alvará do mestre. Significa que nada está acima de mim.”