24 de dezembro de 2008

Quando a vida imita a arte

Beatriz Franco, de Santos

Se a vida imita a arte. O lutador de muay thai Diego Sebastião pode ser considerado um exemplo disso. Apaixonado por filmes de luta, ele sentiu-se em um quando participou do Santos Fight Festival, que aconteceu na Cidade no início do mês. Ao entrar no ringue para fazer a única luta de muay thai da noite, Diego viu e ouviu todo o público gritando seu nome. “Me senti o Rocky do filme.”

Com esse incentivo, não poderia haver outro resultado: venceu o adversário Diego Gaúcho. “É muito bom lutar em casa. Esperava esse apoio do pessoal da academia, mas não de todo mundo como foi.”

Diego diz que no início sua família tinha preconceito com o esporte, mas hoje o apóia. “Até minha mãe assiste. No Santos Fight Festival meu irmão quase morreu do coração.”

A luta entrou na vida de Diego aos 14 anos. Indicado por um amigo, escolheu o muay thai por ter mais contato com o adversário. “Já tinha feito capoeira, mas você não se aproxima do outro, não é a mesma coisa.” Hoje, aos 24 anos, é professor da modalidade e coleciona títulos, como os de campeão paulista, pan-americano amador e sul-americano profissional.

Tudo isso à base de muita dedicação. Ele treina 8 horas por dia, além de dar aulas. E se considera um professor chato. “Pego no pé mesmo. Ensino da mesma maneira que aprendi.”

Mas essa vida dedicada ao esporte cobra um preço: o cansaço que não o deixa fazer nada e a falta de tempo para o amigos e a família. “É difícil ir aos aniversários dos sobrinhos, casamento dos amigos. Meu tempo livre serve para dormir e jogar videogame.”

Mas nada tira o ânimo de Diego, que quer muito mais. “Ainda não estou no topo, mas quando chegar, quero me manter porque não terei outra chance.”

Muay thai prega o respeito

Uma das principais características do muay thai é o respeito que os lutadores têm pelo esporte e pelos profissionais. Antes de entrar no tatame (descalços), todos os atletas fazem uma reverência (com as mãos em forma de oração), gesto repetido para os colegas e professores.

“Ao contrário do que muitos pensam, o muay thai é um esporte de verdade, tem regras, não tem nada de violento”, explica Diego, que lamenta o preconceito contra a modalidade e a falta de conhecimento dos eventos que acontecem na Cidade.

Outro aparato utilizado por alguns lutadores nas competições e que tem grande simbologia é o mongkol (lê-se moncol), uma espécie de faixa que é colocada na cabeça do atleta pelo professor. Segundo Diego, o mongkol representa o mestre, que o coloca quando sabe que o aluno está preparado para a luta. “É como um alvará do mestre. Significa que nada está acima de mim.”