15 de dezembro de 2008

Do sonho à realidade

Beatriz Franco, de Praia Grande

Se fosse possível resumir os atletas João Vítor Souza da Silva, de 14 anos e Weber Croce de Souza, de 15, em uma palavra, seria responsabilidade.

Os dois moradores do bairro Samambaia, em Praia Grande, acabaram de vencer o Campeonato Brasileiro de Vôlei de Praia e conquistaram a vaga para o Mundial de 2009, em Porto Rico. Mesmo assim, não deixam de pensar em suas obrigações em casa e com os estudos.

“Se meus irmãos têm que ajudar em casa, eu também tenho”, conta Weber. “Não podemos descuidar dos estudos, mesmo porque se formos mal na escola não conseguimos bolsa.”

Empenho – E foi essa seriedade que os fez vencer uma competição na qual entraram só por diversão.

“A gente jogava no time de vôlei de quadra, aí resolvemos formar a dupla pra praia, mas não tínhamos nenhuma expectativa”, conta Weber. “Depois que vimos que podia dar certo e começamos a treinar mesmo”, complementa João.

Agora, no Mundial, a responsabilidade é outra, já que irão representar o país. Mas o objetivo na competição também mudou um pouco. “Agora a gente vai pra ganhar, dar o sangue mesmo”, diz João. “Nossa, estou a mil , não consigo dormir direito. Nós somos os mais novos da seleção de Praia Grande e agora vamos pro mundial”, conta, entusiasmado, Weber.

Dupla terá tempo para treinar

O Mundial Escolar acontece somente no dia 25 de maio do ano que vem, o que dá a dupla mais tempo para os treinos e para se acostumarem com o esporte na areia. “O vôlei de quadra é bem diferente do de praia. As regras são outras, a velocidade é outra e na quadra você consegue sair mais do chão”, explica João. Além disso, a família também precisa se acostumar coma idéia da viagem para porto Rico. “meu pai está super preocupado, querendo saber tudo, como vai ser”, diz Weber.

Mesmo com algumas dificuldades, cada vez mais o sonho de seem profissionais no esporte parece mais próximo. Depois da vitória no Brasileiro, João e Weber já receberam propostas de bolsas de estudo de várias escolas, além de um convite para participar de uma peneira no clube Pinheiros, em São Paulo. “As dificuldades servem como incentivo pra gente também. Dá mais vontade de conseguir”, afirma João. E Weber complementa: “Agora jogar vôlei não é mais um sonho sem pé nem cabeça, está virando realidade”.