Pensar em praia nesse dia frio chuvoso não é fácil.
Por isso, a dica desse mês é de uma comida que você pode experimentar com
aquela vista linda ali de frente pro mar, mas dentro de um restaurante
quentinho e aconchegante. A estrela de hoje é o caranguejo!
Minha primeira experiência com esse lindo e vermelho
bichinho foi no ano passado em uma viagem para Aracaju, no Sergipe. E confesso:
não foi fácil! Não por causa da comida, que é deliciosa, mas pela minha total
incapacidade de abrir o caranguejo e conseguir aproveitar sua carne. Não fossem
meus amigos sergipanos, eu teria morrido de fome naquela noite! Sendo assim,
venho aqui dar algumas dicas para que vocês não sofram na hora de aproveitar
essa carne tão saborosa.
Primeira coisa: caranguejo não é igual a siri! Mas é
quase. O siri faz parte da família do caranguejo, mas tem a diferença de ter as
patas traseiras mais achatadas e amplas, não pontiagudas como a dos caranguejos.
Isso faz com que o siri seja o único da família capaz de nadar. O caranguejo
também costuma ser bem maior, chegando a 50 centímetros, enquanto o siri não
costuma passar de 20. As duas carnes são muito boas, não dispenso uma boa
casquinha de siri, mas os sabores são bem diferentes.
Segunda dica e muito importante: se você ainda não
tem a prática de abrir o caranguejo, não vá para o restaurante com fome. Ou
então, peça alguma coisa mais fácil como acompanhamento. Caranguejo foi feito
para comer com calma, compartilhando com os amigos, acompanhando uma bebida.
Com o tempo, você pega o jeito, mas no começo não vai conseguir tirar mais do
que algumas lascas de carne com pedaços de casca junto e vai ficar com o
estômago roncando e essa cara de quem não faz ideia do que está fazendo.
Aí chega a parte da ciência de abrir o bichinho, que
eu coloco aqui em três passos para ajudar os caranguejeiros de primeira viagem:
Passo 1: Comece a comer o caranguejo pelas patas
menores, são mais fáceis de quebrar. Quebre as patinhas nas articulações. Quando
você puxar vai sair um pouco de carne de um lado e do outro ainda
pode ter ficado carne dentro, então pegue o lado oposto, quebre a ponta
com o dente e chupe para sair o restante da carne. Essa é a técnica
clássica dos especialistas. Parece fácil, né? Se mesmo assim não sair, abra a
patinha pela lateral.
Passo 2: As partes mais gostosas, porque têm mais
carne, são as patas grandes. Para quebrá-las use a tábua e o martelo de madeira
oferecidos pelo restaurante. Aqui você tem que colocar a força na medida certa
para não espatifar toda a carne e ficar a ver navios, como eu fiz. Retire a
garra móvel do caranguejo e coma a carne que vier, depois segure na garra
fixa, coloque-a sobre a tábua e dê umas batidas nela até trincar, depois quebre
o resto com a mão.
Passo 3: Depois de comer as patinhas e as patonas,
vem o corpo! Separe em duas partes: o casco e o abdome. Retire a parte
mole que fica em cima do abdome e pode mordê-lo, tem carne lá também.
Pode parecer meio estranho lendo assim, mas quando você estiver
lá sentindo o cheiro maravilhoso, vai entender. O caranguejo é muito apreciado
no Nordeste – e mais barato por lá -, mas você também encontra em outras praias
do litoral paulista e carioca. O mais importante é não se preocupar em se sujar
e aproveitar o momento! Dê risada também da sua incapacidade, peça ajuda se
precisar, mas não deixe de experimentar essa delícia do litoral!