1 de maio de 2014

Corpo são, mente sã... e o trabalho?

Nos últimos anos tem sido bem comum ouvir amigos ou colegas de trabalho comentando – e orgulhando-se – de trabalhar 10 ou 12 horas em um dia, às vezes vários dias na semana. Fazer hora extra e, na maioria das vezes, não receber por isso tem sido cada vez mais comum e aceitável entre profissionais de alto nível escolar. E quando falo dessas pessoas, não cito somente executivos, gerentes e profissionais com cargos de liderança. Também incluem-se nesses casos analistas, assistentes e estagiários. O que mais me assusta é que esse trabalho “grátis” além do expediente é, muitas vezes, visto como vantagem, dedicação e recompensado com reconhecimentos e promoções de cargo.

Não me acho dona da razão, mas na minha opinião, algo está muito errado. Em séculos passados era comum a carga horária extensiva, de 16 ou 18 horas, ou até mesmo ininterrupta como antes da Revolução Industrial. Afinal, não havia regulamentação, CLT, controle, etc. Quanto lutamos para que a jornada de trabalho de 44 horas semanais fosse aceita? Para que a norma implementada inicialmente por Henry Ford de 8 horas de trabalho, 8 horas de lazer, 8 horas de descanso fosse regulamentada? Estamos em 1º de maio de 2014, Dia do Trabalho, e a impressão é que estamos voltando no tempo.

Sim, em alguns casos, é normal trabalhar além do horário para um projeto especial ou em um imprevisto. Mas, diariamente ou metade dos dias  da semana está errado. Ou há falta de organização ou a demanda está maior do que o profissional pode assumir. Eu não consigo imaginar que um profissional que já esteja trabalhando há 10 horas  ainda consiga ser produtivo e cumprir suas funções com qualidade. O descanso – do corpo e da mente – é essencial para um bom desenvolvimento do trabalho. O difícil é que as pessoas que não se adequam a esse ambiente de trabalho excessivo são vistas como preguiçosas, folgadas e têm dificuldade em se encaixar nas empresas.

É muito importante gostar do trabalho que você faz, é essencial sentir-se bem no seu ambiente de trabalho, mas daí a passar mais tempo nesse ambiente do que na sua casa com a sua família ou divertindo-se com amigos surge uma grande diferença. A ferramenta dos profissionais de hoje é sua mente e se ela não é respeitada e bem tratada, o resultado certamente será negativo.

“Não é sinal de saúde estar bem adaptado a uma sociedade doente” – Jiddu Krishnamurti, filósofo e educador indiano