Beatriz Franco
Apesar do esporte fazer parte da minha vida desde sempre (às vezes contra a minha vontade), só nos últimos meses tenho realmente dado atenção a ele, seja qual for a modalidade. Pensando sobre isso e lendo alguns textos sobre jornalismo na área esportiva, percebi o que é muito óbvio, mas muitas pessoas não dão atenção. O esporte é uma das poucas áreas dessa profissão em que se pode fazer ligações com qualquer assunto. É possível relacionar com economia falando sobre as dívidas dos clubes ou a dificuldade financeira de alguns atletas; com variedades, relacionando à vida pessoal dos esportistas; algumas vezes com polícia, quando a indisciplina ultrapassa os parâmetros aceitos; e também com política, o assunto do qual este texto trata.
Quando o esporte se assemelha à política perde toda a leveza e bom humor que é comum e torna-se uma grave discussão a respeito de algumas questões. O objetivo todo desta explanação é comentar sobre os protestos tibetanos na China durante os preparativos para as Olimpíadas. É um caso delicado, que requer paciência e compreensão de todas as partes.
No começo de março, 5 meses antes dos Jogos Olímpicos, o líder budista Dalai Lama denunciou os abusos feitos pelo governo chinês à população do Tibet, como repressão, violação aos direitos humanos e negação da liberdade religiosa. O fato não era segredo a ninguém, mas a declaração do budista soa estranha, pois ele sempre tratou o caso com grande moderação. Portanto, esta denúncia próxima aos Jogos é uma clara tentativa de prejudicar a organização do evento. Até aí, sem problemas. Não há momento melhor para isso do que quando os olhos do mundo estão voltado para a China. A atenção é certa. Mas a maneira como algumas coisas vêm sendo feitas me incomoda.
Protestos durante a passagem da tocha eu apoio
Novamente digo, protestem, gritem, levem faixas. Os atletas que concordam com as críticas protestem no pódio. Mas não estraguem um momento único dos esportistas, as pessoas mais importantes da festa.