17 de janeiro de 2010

Xô Virose

Beatriz Franco, de Santos
Verão é tempo de sol, calor, praia e muita diversão. Mas também é o período que exige mais cuidado com algumas doenças. Um dos principais problemas, que atinge em especial as crianças, é a diarreia.

De acordo com o clínico geral e chefe da enfermaria clínica do Hospital Guilherme Álvaro, Bruno Pompeu Marques, de Santos, esse é um problema recorrente em períodos muito quentes, pois as altas temperaturas fazem com que os vírus, bactérias e parasitas se proliferem com facilidade. No caso dos vírus a transmissão acontece pelo ar. Já quando a infecção é causada por bactérias, o contágio se dá principalmente pela comida. "No calor, os alimentos perecíveis ficam mais sujeitos à contaminação e, ao serem ingeridos, desencadeiam o processo diarreico", explica.

O distúrbio é caracterizado por um aumento no número de evacuações ou alteração na consistência das fezes. Além disso, pode vir acompanhado por vômitos, náusea e cólica abdominal. Dura, em média, de 5 a 7 dias.
Outras fontes de contaminação são a água, o manuseio de objetos, como utensílios de cozinha contaminados, e higiene pessoal inadequada.

Por isso, algumas atitudes preventivas devem ser tomadas, como a boa higiene das mãos, lavando-as frequentemente, e o uso de água potável no preparo das refeições e bebidas. O especialista orienta beber água engarrafada de boa procedência, ou água natural fervida ou filtrada. Além disso, é indicado evitar comer fora de casa ou frequentar locais de total confiança. É importante também conservar os alimentos embalados, sempre em ambiente refrigerado e livre de insetos e não consumir os que estiverem fora da geladeira por mais de duas horas.

Alguns alimentos como cereais integrais, hortaliças cruas ou cozidas, comidas industrializadas e maionese devem ser evitados. Já os indicados nesses casos são frutas como maçã, pera e banana, consumidos sem casca ou cozidos, e carnes magras brancas.

Além da alimentação, outra fonte de contaminação, especialmente em crianças, é a água do mar, como alerta o pediatra do Hospital Samaritano de São Paulo, Gerson Matsas. "Temos atendido muitas famílias que passaram férias na praia. As crianças acabam ingerindo água enquanto brincam no mar. Caso a praia esteja imprópria para banho, elas serão infectadas".
O pediatra alerta que quanto mais novas, mais suscetíveis elas serão às doenças, pois têm o sistema imunológico mais frágil.

A intensidade dos sintomas pode variar, mas é necessário tomar muito cuidado com a desidratação. "A diarreia muito forte pode evoluir rapidamente e, principalmente em idosos, crianças e pessoas com doenças prévias (como diabetes), até levar a morte se não for tratada rapidamente", explica o clínico Bruno Marques, que ainda faz um alerta: "Nunca tome remédio para segurar o intestino. Isso é perigosíssimo. O que está causando o problema precisa ser eliminado".

Segundo o clinico geral do Hospital Ana Costa, Roberto Debski, de Santos, o ideal é se hidratar. "Caso não haja melhora rápida, o vômito for frequente e a pessoa não conseguir ingerir líquidos, é preciso procurar orientação médica".