7 de março de 2008

Vitória em dose dupla

Beatriz Franco, de Santos

Um projeto que começou com a intenção de tirar os garotos das ruas já alcança uma nova meta: apresentar bons jogadores a clubes de futebol. O projeto Fluminense/Parceiros da Bola ajudou três jovens atletas a chegar ao Cardoso Moreira e outros três a fazer um teste no Fluminense, ambos do Rio de Janeiro.

O grupo começou pequeno, mas depois de um tempo, os meninos traziam amigos para participar. “Cada um trazia três, até que chegamos aos 120 de hoje”, diz Edinaldo Vicente França, o Padi, técnico da equipe sub-16.

Padi explica que nem todos são aceitos. “É importante saber com que estamos lidando. Eles não podem ter vícios e têm que estudar. Também não pode fazer bagunça, mas controlar essa garotada nas viagens já é mais complicado”, brinca.

Todas as categorias passam por dificuldades, mas a sub-16 é a que mais sente, pois é a única que participa das competições. Como o projeto não tem patrocínio, quem paga as viagens da equipe são os pais dos garotos. Além disso, eles treinam todos os dias em um campo quase todo coberto de areia, na Zona Noroeste de Santos.

Destaque – Mesmo com todas as dificuldades, o time tem ficado entre os primeiros nas competições. Já foram campeões sul-americanos em Cajati e venceram em janeiro a XV Copa Internacional de Itaporanga.

Por isso, o técnico Padi não desanima: “Vamos com a cara e com a coragem. O que ganho aqui é a satisfação de estar com eles”.

Garotos felizes com experiência no Rio

Os zagueiros Ricardo do Nascimento Júnior e Kleberson Elias da Silva e o atacante William Conceição Braz são os atletas do Fluminense/ Parceiros da Bola que passaram por um período de testes no Fluminense, do Rio. Voltaram, segundo Padi, por falta adaptação a um time que já estava pronto, mas não deixam de comemorar a oportunidade de treinar em um time de alto nível.

Esta chance de carreira dos garotos, que têm entre 15 e 16 anos, apareceu por meio dos campeonatos disputados pela equipe. “Nós disputamos quase todos os campeonato da região e do Estado na nossa categoria e sempre tem olheiros de outros clubes assistindo aos jogos em busca de futuros jogadores. É assim que a gente consegue espaço em outros lugares”, explica Kleberson.

Ao contrário do que acontecia antes, quando os três ficavam sem fazer nada epois das aulas, agora ele têm um novo objetivo, bem definido por William: “Crescer cada vez mais, trabalhando sério e vencendo campeonatos”.