16 de junho de 2008

Brasil abaixo de zero

Beatriz Franco, de Praia Grande

Gelo, frio, trenó, neve. Elementos estranhos ao clima brasileiro estão cada vez mais próximos da Baixada Santista. O atleta de arremesso de peso de Praia Grande, Flávio Cruz, é o atual campeão brasileiro de bobsled, junto com seu companheiro Edson Bindilatti. Este foi o primeiro ano de Flávio no esporte.

O Campeonato Brasileiro de Bobsled e Skeleton, disputado este ano nos Estados Unidos, é organizado pela Confederação Brasileira de Desportos no gelo. O bobsled pode ser praticado por dois ou quatro atletas e consiste em deslizar em um trenó em alta velocidade por uma pista de gelo. Vence a equipe que completar o percurso em menos tempo.

Flávio foi indicado por um amigo para entrar em uma das equipes brasileiras e seu histórico no atletismo foi determinante para que seu currículo fosse aprovado pela confederação já que, segundo ele, o praticante de atletismo está preparado para qualquer modalidade. “A força, a velocidade e o peso favorecem bastante no bobsled, porque a gente precisa correr um pouco para pegar velocidade e entrar no trenó e quanto mais pesado, mais rápido ele vai”. Mas o atleta também explica que apesar da velocidade ser necessária, é preciso cuidado, pois com qualquer erro, o trenó pode virar.

Adaptação – A maior dificuldade sentida por Flávio foi a adaptação ao esporte e ao trabalho necessário antes das provas, pois os treinos com o trenó são feitos somente antes das competições. “A gente pensa que é fácil, é só chegar e correr, mas tem toda uma preparação que é feita por nós. E o trenó pesa 234 quilos”, enfatiza Flávio que, mesmo com a nova prática, não abandonou o atletismo. Ele treina e dá aulas na pista de atletismo de Praia Grande. “Meu objetivo agora é o Troféu Brasil, em junho, os Jogos Regionais, em julho, e em novembro, os Jogos Abertos. E em outubro tem uma competição de bobsled em Salt Lake City, nos Estados Unidos”.

Além disso, Flávio também está de olho na vaga para a Seleção Brasileira para participar das Olimpíadas de Inverno de 2010, em Vancouver, no Canadá. Por ter participado do Brasileiro, ele acredita ter mais chances, mas não deixa de se dedicar. “Agora em outubro é a chance de garantir a vaga. Tem que competir bem”.