Beatriz Franco
"Prata? De novo??" Essa é a primeira reação ao ver a árbitra Dagmar Dankova apitar o fim da prorrogação do jogo de futebol entre as seleções femininas do Brasil e do Estados Unidos, nos Jogos Olímpicos de Pequim. Infelizmente, a pergunta, com tom de indignação, a respeito da cor da medalha era para o Brasil. Fomos prata, de novo.
Tristeza, revolta e incompreensão são os principais sentimentos de quem assistiu a esse jogo com a clara impressão de que o ouro era nosso depois da goleada contra a Alemanha. Mais ainda depois de lembrar das americanas pedindo vingança pelos
No entanto, com exceção da tristeza, os outros sentimentos não demoraram muito para se dissipar. Sendo trocados pelo orgulho, pela emoção e pela esperança de que os erros de passe serão consertados, de que a afobação inicial será controlada, de que a vontade de decidir sozinha nos momentos errados será modificada. Enfim, de que o lugar mais alto no pódio ainda será das nossas meninas.
A imagem da melhor do mundo olhando para o céu e perguntando: "O que foi que eu fiz de errado?" continuou passando pelos nossos olhos. Mas, depois de ver a seleção de futebol masculina completamente apática contra a Argentina na semifinal, de ver Jadel Gregório tropeçando na própria arrogância e de campeões mundiais do judô decepcionando nas primeiras lutas, podemos responder que você, Marta, não fez nada de errado.
Erros cometem os dirigentes da CBF que apesar de saberem que duas das melhores jogadoras de futebol do mundo são brasileiras, não fazem nada para incentivar o esporte no país. Errados estamos nós que ainda acreditamos que um dia isso irá mudar.
Vocês foram certas, lutando até o último instante contra a melhor seleção do mundo para trazer o ouro para o país que não as homenageia, não se orgulha de vocês e só faz reclamar, pois conseguiram ser APENAS a segunda melhor seleção mundial.
Parabéns, Bárbara, Renata, Tânia, Érika, Simone, Rosana, Ester, Formiga, Jatobá, Francielle, Daniela, Maycon, Fabiana, Marta e Cristiane!
Eu continuo acreditando!