Beatriz Franco, de Santos
Dezesseis anos separam um momento trágico de um retorno glorioso do lutador de muay thai Emerson Ricardo Ábila, o Naja (ecko unltd), de 32 anos. Neste sábado, na competição Fair Fight, que acontece no Ginásio do Esporte Clube Sírio,
Aos 16 anos, o lutador vivia um excelente momento na carreira, era campeão brasileiro e sul-americano e havia trazido o esporte para Santos, quando uma tragédia quase acabou com seus sonhos. Ele sofreu um acidente de moto e teve seu pé esquerdo decepado. “Os médicos diziam que eu nunca mais iria praticar nenhum esporte, não conseguiria andar”, conta ele.
Mas é nessas horas que um campeão mostra sua força. Naja aceitou sua situação, mas voltou a dar aulas. Foi aí que tudo mudou. Sete anos depois do acidente, já participava do Campeonato Internacional de Vale Tudo. “Fui começando aos poucos, minha intenção não era treinar, mas percebi que conseguia mais, então comecei a treinar boxe que usava menos as pernas e participei da competição de vale tudo”, conta o atleta, que diz ter formado muitos lutadores da Cidade.
Depois de muita recuperação e treinamento, a Fair Fight deste sábado será a primeira competição de muay thai que naja participa após o acidente. Depois dela, já tem outra luta programada para novembro, com o irmão do lutador Ramon Decker.
Sacrifício é seu sobrenome
A expectativa é tanta para a Fair Fight que Naja não poupa sacrifícios para participar. O lutador, que pesa 90kg, vai lutar na categoria Grand Prix, até 76kg. Para isso, ele emagreceu 12 quilos em três meses e passou os últimos 6 dias comendo 20% do que está acostumado para perder os dois quilos restantes.
Para os lutadores, esse é um evento muito importante, por ser o primeiro campeonato no Brasil disputado com as regras tailandesas, aceitando inclusive cotoveladas.
Só esse esforço já é motivo de comemoração para o também lutador Jorge Zumbi, amigo de Naja que veio do Rio de Janeiro para apoiá-lo. “A vitória pertence aquém acredita. Só pelo sacrifício, ele já é um vencedor. Eu mesmo não faria isso”, elogia.
Ao contrário do que possa parecer, o treinador de Naja, Fábio Duarte, afirma que essa dieta não irá prejudicá-lo. “Depois da pesagem ele vai voltar a comer normalmente para repor as energias e como é mais forte do que os outros terá boas chances.” Duarte acredita que vencerá a competição quem tiver a tática para se machucar menos e que Naja é diferenciado por ser canhoto. “Estamos indo para ganhar, não para participar.”
“Quando caí e olhei, eu estava sem o pé”
O acidente de Naja aconteceu em 1992, no bairro do Embaré,
“Quando caí e olhei, eu estava sem o pé. Ele tinha ficado do outro lado, dentro do tênis.” Felizmente, os médicos conseguiram reimplantar o membro, mas o lutador ficou um mês internado e dois anos em uma cadeira de rodas, sem poder colocar o pé no chão.
Com o treinamento e o apoio dos amigos, Naja conseguiu voltar a competir sete anos depois.