Beatriz Franco, de Santos
Se você está endividado e já sofre pensando em como vai fazer as compras de fim de ano, fique tranquilo. Ainda há tempo para consertar a situação e ter um Natal sem sustos. Segundo os especialistas em economia, algumas atitudes simples podem ter grandes resultados no seu orçamento.
A primeira coisa a ser feita é conhecer sua situação. Coloque todos os números no papel: dívidas, gastos previstos e a sua renda. Somente com essas informações em mãos é possível começar um planejamento financeiro. “As pessoas não têm o hábito de controlar o que gastam, nem de fazer economia, por isso se perdem”, explica o economista Jorge Manuel de Souza.
Para ele, o grande segredo para sair do vermelho e se manter fora dele é o controle do orçamento. Fazer uma planilha de gastos e manter uma reserva sempre que possível são essenciais para uma boa saúde financeira.
Quando estiver consciente das suas dívidas, começa a organização. Segundo o professor de economia internacional da Universidade Metropolitana de Santos, Hélio Hallite, as dívidas com cartão de crédito e cheque especial devem ser pagas primeiro, pois têm os maiores juros. “Essas normalmente são as contas que aumentam mais rapidamente e que deixam as pessoas inoperantes. Para esses pagamentos pode-se usar o 13º salário, caso seja necessário”.
Hallite deixa claro, no entanto, que o que sobrar do salário extra deve ser reservado para o pagamento das contas do início do ano, como IPVA, IPTU e despesas escolares, para que a bola de neve das dívidas não comece novamente no ano seguinte. “Os três primeiros meses do ano são mais importantes do que o Natal. São os que deixam as pessoas mais endividadas, por isso é necessário se planejar para esses pagamentos”.
Outra opção para pagar o débito de cartões e cheque especial é fazer um empréstimo. “Os juros de empréstimos bancários são bem menores do que os de cartão de crédito, por isso é aceitável trocar essa dívida por uma de menor valor”. Mas é preciso cuidado ao escolher o local onde será feito o empréstimo. O especialista sugere fazer simulações nos sites das instituições para saber qual oferece melhores vantagens e o menor juro.
Depois de se livrar das dívidas maiores e planejar os próximos gastos, é hora de se concentrar nas outras contas. O ideal é tentar negociar com as lojas. Como também é do interesse delas receber o seu pagamento, você pode conseguir descontos e um prazo melhor para a quitação da despesa.
Somente quando tudo isso estiver resolvido você deve pensar nas compras de fim de ano, mas sempre com cautela, como explica Hallite. “O Natal não é festa de consumismo. Se a pessoa não tem dinheiro, essa é a pior hora para contrair mais dívidas”. Cada consumidor deve gastar de acordo com sua condição financeira e, principalmente, evitar parcelamentos. O pagamento à vista é sempre melhor em qualquer época do ano, pois, além de não adiar a conta, você pode conseguir bons descontos. “A melhor parcela é aquela em que não existe diferença entre o preço à vista e à prazo”.
Mas, e quando o produto é mais caro, como um eletrodoméstico? “Se possível, economize e junte a maior parte do valor do produto para dar de entrada e sempre pesquise as lojas que fazem parcelamentos sem juros”, explica o economista Jorge Manuel. E ainda faz um alerta para quem está sonhando com o carro novo. “Quanto mais longo o prazo de pagamento, maiores as chances de acontecerem imprevistos e o dinheiro faltar. Se você precisa parcelar em 72 vezes a compra de um carro é porque não tem condições de ter um carro neste momento”.
O importante é gastar apenas o que pode pagar e não acumular parcelamentos. Como faz a profissional do serviço social, Regina Célia. Ela afirma ter uma reserva de dinheiro e gastar de acordo com sua renda. “Não deixo nada pra pagar depois, pago sempre no mês. Temos que saber o que gastar pra não ficar descoberto mais tarde. É com essa reserva que consigo pagar minha faculdade”. Já o autônomo Josival Inácio Feitosa, diz ser muito desorganizado, mas que está com as contas em dia. “Não tenho 13º, então não vou ter dinheiro extra, mas vai dar pra pagar tudo no fim do ano”.