21 de novembro de 2007

Força vem do sangue

Beatriz Franco, de Santos

Incentivo é a palavra-chave na vida de Larissa Mariane Medeiros há muito tempo. Aos 13 anos, ela faz parte da equipe pré-mirim de basquete Fupes-Semes que está disputando o Campeonato Paulista de Basquete. O detalhe é que Larissa é a única deficiente auditiva do time.

A iniciativa para a prática do esporte partiu de sua mãe, Maria de Lourdes Medeiros Araújo, que a levou para participar do projeto “basquetebol para a vida inteira”, realizado pela Secretaria de Esportes de Santos. Surda desde os 3 anos, Larissa não encontra dificuldades no esporte. “Ela entende da mesma maneira que as outras meninas, mesmo sem ouvir e sem falar.”

A técnica do time e uma das coordenadoreas do projeto, Solange Maria Jaime Ribeiro, concorda e explica que nos campeonatos nem a arbitragem percebia a diferença da jovem jogadora, que atua como lateral ou pivô. “Como as partes sensorial e motora da Larissa são perfeitas, os árbitros não percebem.”

Apoio - Maria de Lourdes conta que houve uma época em que Larissa quis deixar de treinar e de ir à escola por não conseguir se comunicar com as colegas, que não conhecem a linguagem de sinais. Com o objetivo de incentivá-la, sua mãe, que é diarista, foi pesquisar sobre o assunto e escreveu um livro, com o apoio de outros profissionais da área, para ensinar as crianças sobre a linguagem de sinais.

A obra, intitulada “Desvelar”, será lançada no fim do mês e parte da renda será usada para um projeto que Maria de Lourdes pretende pôr em prática para profissionalizar jovens com deficiências.