9 de novembro de 2007

Honra para poucos

Beatriz Franco, de São Vicente

“Só agora estou entendendo a situação. É uma emoção e uma responsabilidade muito grande.” Esta é a descrição do professor de caratê Kazunori Yonamine para a sensação de chegar ao 9º Dan, a segunda maior graduação do esporte no Brasil.

Nascido em Okinawa, no Japão, e há 47 anos no Brasil, Yonamine credita essa homenagem à dedicação com que vem praticando o caratê na Baixada Santista. “Para alcançar um grau deses é preciso trabalhar muito pelo esporte, conhecer a cultura do caratê no Japão.”

O professor é o segundo do País a atingir um grau como esse. O único superior a ele foi seu professor, o mestre Yoshihide Shinzato, que chegou ao 10º Dan. Para alcançar essa graduação é necessário ser indicado por outros esportistas do mesmo nível no Japão.

Yonamine veio para o Brasil na época das primeiras imigrações japonesas e conta que começou a lutar caratê por incentivo de um mestre que veio com ele do Japão.

Segundo ele, os jovens alunos são muito dedicados, mas a maior dificuldade deles é entender e conhecer a cultura japonesa, pois nenhum conhece o país ainda.

Por esse trabalho realizado com os jovens em São Vicente, será feita uma homenagem a Yonamine pelo prefeito Tércio Garcia. O evento acontece no domingo, dia 11, às 10 horas, no Ginásio Poliesportivo Dondinho, no Catiapoã. Além da homenagem, na cerimônia estarão presentes esportistas de todo o Estado e haverá apresentações de alunos e ex-alunos do professor.

Incentivo - O caratê é uma arte marcial baseada no equilíbrio emocional e na defesa pessoal. Apesar dos benefícios trazidos por essa prática, o professor Osmar Vieira, vice-presidente da organização Shidokan do Brasil, explica que tem havido uma queda nos alunos das academias porque a modalidade ainda não é muito divulgada.

“No futebol de salão, por exemplo, você vê vários pais esperando uma vaga para seus filhos, mas nas artes marciais não.”

Para ele, é preciso um exemplo na mídia para atrair os jovens, “o judoca Rogério Sampaio trouxe muitas crianças, mas agora só querem saber do Ronaldinho”.