Beatriz Franco, de Santos
Premiar e agradecer às famílias. Este foi o objetivo do 1º Festival Integrar Arte e Vida, realizado ontem no teatro do Sesc,
“Os pais nunca assistiram a uma apresentação dos filhos. Isso é um prêmio por direito às famílias que entregam seus filhos nas nossas mãos o ano todo”, explicou Alcídio Mello, o Cidão, presidente da Associação Nacional de Esportes (ANE), coordenadora do projeto. Para ele, essa participação da família é fundamental para que os resultados das aulas sejam ainda mais positivos.
É unânime a opinião de que a mudança mais efetiva é no comportamento das crianças. Muitas deixaram de ficar na rua e melhoraram o desempenho na escola depois de ingressar no projeto Integrar. “Alguns alunos não saíam da diretoria, estavam sempre envolvidos em confusões e agora se concentram mais nas aulas, têm notas melhores”, contou Cidão, ex-jogador da seleção brasileira de vôlei.
Leonídio Pasqualle, o Léo, um dos idealizadores do Integrar, junto com Cidão e Marcelo Camargo, afirmou que é essa a intenção do projeto. “Mesmo tendo várias oficinas, nosso objetivo não é formar cantores ou dançarinos, apesar de alguns se destacarem nessas manifestações culturais, e sim mostrar chances de um futuro melhor para todos”.
Gibi
Durante o evento também aconteceu o pré-lançamento do segundo gibi educacional do Integrar. Com o tema preservação do meio ambiente e sustentabilidade, a história em quadrinhos serve como uma ferramenta de motivação para os alunos, além de divulgar o trabalho dos patrocinadores. “Eles se sentem dentro do gibi, nas histórias deles”, contou Cidão.
Projeto
O Integrar Arte e Vida começou em 2007 por iniciativa dos ex-jogadores de vôlei Cidão, Léo e Marcelo. Hoje, o projeto atende 1.800 crianças, entre 6 e 17 anos, estudantes de 14 escolas da rede municipal de Santos, São Vicente, Guarujá e Cubatão.
São 12 núcleos que oferecem oficinas de artes plásticas, esportes, dança e artes marciais.
O Integrar Arte e Vida é patrocinado por Carrefour, Comgas e Petrobras.
Melhoras são sentidas pelos alunos
Ficou a cargo de Beatriz Araújo Santana, de 9 anos, entregar a homenagem a Marco Cortez, responsável pela produção artística do gibi educacional do Integrar Arte e Vida. A garota, que participa das oficinas de salsa, dança de rua, canto e artes, estuda na Escola Municipal Angelina Daige, em Guarujá e entregou um quadro produzido por ela nas aulas.
No festival, Beatriz se apresentou junto com o coral, mas conta que sua alegria mesmo é a aula de pintura e que, por isso, agora não fica mais nas ruas. “Eu adoro pintar quadros, principalmente os grandes. Isso ocupa meu tempo”.
Sua professora de artes, Janaína Fonseca, comentou que no início os alunos só queriam bagunçar, entraram desinteressados. Agora, todos querem aprender e fazem de tudo para não faltar.
A aluna de jazz, Letícia Picirillo, de 12 anos, também é um exemplo dos resultados do projeto. Ela mesma afirmou que não era das melhores alunas, mas que agora estuda mais para prosseguir no projeto. “Vou continuar fazendo aulas e quero seguir carreira na dança”.
Para os caratecas Lívia Nascimento Marques, 14 anos, Olívia Beatriz de Lima Neto, 12, e Rafael Domingos do Valle, 13, os jovens que não quiseram participar do projeto estão perdendo muitas coisas. “São chances de progredir, de ter uma profissão, ganhar experiência. Muitas portas estão se abrindo para nós”, contou Letícia.