28 de novembro de 2008

Memória do esporte

Beatriz Franco, de Santos

Gigi praticou vários esportes. Jogou vôlei por muitos anos no Clube Internacional, além de futebol de praia e de salão em Santos. Jair defendeu por três anos o São Paulo Futebol Clube, do Macuco, depois alguns times do Clube Saldanha, onde hoje disputa competições de veteranos.

Ninguém melhor do que dois grandes esportistas da região para divulgarem e preservarem a memória do esporte em Santos. E, driblando todas as dificuldades, usam a internet para isso. O esporte amador de Santos está na rede.

Carlos Alberto Mano Prieto, o Gigi, de 66 anos, é consultor financeiro aposentado e há dois anos se dedica aos trabalhos do seu site Gigi na Rede (www.giginarede.com.br). Já o petroleiro aposentado Jair Leite Siqueira, de 61 anos, cuida do seu blog Várzea Santista (www.varzeasantista.com) há pouco mais de um ano.

Para Gigi, tudo começou como um peso na consciência. “Passei tantos anos praticando esportes, mas nunca fiz nada de verdade por ele. Então, resolvi montar um museu para compartilhar várias histórias e conservar a memória do esporte”.

A preferência pelo amador veio desde a época de jogador. Gigi não admitia jogar por dinheiro, só por diversão. Foi por isso, inclusive, que abandonou o vôlei. “Quando profissionalizaram eu saí. Não concordo com as coisas que acontecem nos bastidores. Me chamam até de amador por excelência”.

O site de Gigi tem, além de textos seus, participação de colunistas que escrevem sobre esportes e até sobre direito esportivo. Segundo ele, o maior obstáculo é ganhar a confiança das pessoas para emprestarem fotos de times e jogos antigos. “Quero que entendam que minha intenção é preservar a memória do esporte. Tudo que pegar, vou copiar e devolver. Só quero que colaborem”.

Apesar disso, o retorno é gratificante. “Tenho visitas de todo o mundo. Esse reconhecimento é o meu objetivo”.

Jair: “A emoção é meu combustível”

Jair é apaixonado pela várzea. Jogando pelo São Paulo FC e por outros clubes da cidade, conquistou muitos amigos. Para reencontrá-los e, claro, jogar futebol, passou a organizar semestralmente um encontro no Brasil FC.

Foi aí que ele começou a juntar o material que seria exposto no Várzea Santista. “Pedi para trazerem fotos para a gente relembrar. Aí fazia um mural e levava para todos verem. Percebendo a emoção das pessoas, vi que não podia guardá-las só para mim”.

A divulgação do blog é feita no boca a boca e o resultado já é comemorado por Jair. “Muitas pessoas escrevem pedindo para falar de algum clube onde o pai jogou ou ficam emocionados de saber alguma história. Era isso que eu queria. A emoção é meu combustível para continuar”.

Eles tiveram que driblar a exclusão digital

Além do trabalho para conseguir o material histórico dos sites, Jair e Gigi tiveram que enfrentar o desconhecimento sobre a internet. Antes de começarem a divulgar o esporte amador de Santos na rede, nenhum dos dois sabia usar um computador. Foi nessa hora que entrou o apoio da família. “Foi meu filho que me ajudou a montar o blog. Eu não entendo muita coisa ainda, é ele que atualiza”, conta Jair.

Para Gigi, o site rendeu mais frutos. Sua mulher, Sandra Motta, fez cursos visando melhorar a página e acabou iniciando um novo trabalho. “Tenho uma empresa de desenvolvimento de sites agora. Aplico tudo que aprendi no Gigi na Rede”.