22 de março de 2010

Eclampsia é comum e perigosa


Beatriz Franco, de Santos

Uma doença que pode ser evitada com um pré-natal bem feito, mas que é responsável por uma das piores taxas de mortalidade no Brasil. O problema da pressão alta durante a gravidez foi explorado na semana passada com a personagem Débora (Guta Gonçalves), na novela Cama de Gato, da Globo.
Depois de ver outra beijando seu marido, Pedro (Ronny Kriwat) Débora passa mal, é internada e morre após um parto de emergência.
Apesar de toda a dramaticidade da cena, o problema é mais comum do que se pensa. A alta de pressão leva a um quadro de pré-eclampsia, que, quando não tratado, pode evoluir para a eclampsia e trazer riscos à mãe e ao bebê.
Segundo a Organização Mundial de Saúde, em 2001, 71 mães morriam a cada 100 mil bebês nascidos vivos. Em 2007, esse número subiu para 77.
O ginecologista e obstetra Corintio Mariani Neto, diretor da maternidade do Hospital Leonor Mendes de Barros, em São Paulo, explica que a eclampsia é chamada de doença do pré-natal, pois pode ser identificada durante os exames. “É rara em países de primeiro mundo, pois o acesso à saúde é mais fácil”.
A pré-eclampsia é uma doença evolutiva que pode aparecer a partir do último trimestre da gravidez. É caracterizada pelo aumento da pressão arterial, inchaços excessivos e nível de proteínas na urina acima do normal.
As mulheres mais suscetíveis ao problema são as hipertensas, as mães adolescentes e acima de 40 anos, principalmente na primeira gestação. “Também há grande frequência nas grávidas de primeiro filho com o marido atual. Às vezes, a mulher tem filhos de outra relação e apresenta pré-eclampsia na gestação do primeiro filho com aquele parceiro”.
Quando a pré-eclampsia não é tratada, ela pode evoluir para eclampsia, um problema sério que causa convulsões nas grávidas e pode levar à morte do bebê e da mãe.
A causa da doença ainda não é conhecida. O que se sabe é que o problema está na placenta, pois após o nascimento a eclampsia desaparece.
Alguns sintomas caracterizam a iminência de pré-eclampsia, tais como dores de cabeça, pontos luminosos na visão e dor no abdômen.

Paciente tem que fazer repouso
Quando diagnosticada durante os exames de pré-natal, a pré-eclâmpsia pode ser tratada até em casa, dependendo da gravidade do caso. É necessário que a gestante faça repouso e o uso de remédios para controlar a pressão.
Em casos graves, é necessária a internação para um melhor controle da pressão arterial da mulher. Já quando o quadro evolui para eclampsia, o estado de saúde da grávida é controlado com a administração de medicamentos e, na maioria das vezes, o parto é realizado antes do término da gestação.
Qualquer que seja a gravidade da doença, a única forma de preveni-la e evitar riscos para a mãe e para o bebê é manter um acompanhamento pré-natal constante.