15 de março de 2010

Tuberculose. Litoral corre mais riscos


Beatriz Franco, de Santos

Março é o mês da luta contra a tuberculose, lembrado no dia 24. No entanto, mesmo depois de quase 130 anos de sua descoberta, ela continua sendo a maior causa de morte por doença infecciosa em adultos.
A Organização Mundial de Saúde classifica 22 países como os responsáveis por 80% dos casos de tuberculose no mundo. O Brasil é o 15º dessa lista.
Somente o estado de São Paulo descobre cerca de 18 mil casos da doença por ano e a Baixada Santista encontra-se entre os lugares com maior incidência. No litoral são cerca de 90 casos para cada 100 mil pessoas, enquanto no resto do estado são 55 casos.
A tuberculose é uma infecção respiratória causada pelo bacilo Koch. A doença pode atingir qualquer órgão do corpo, mas é muito mais frequente nos pulmões.
Segundo o pneumologista Alex Macedo, o contágio se dá pelo ar e o contato com doentes aumenta o risco de transmissão. “Mas isso não quer dizer que quem não esteve exposto não terá a doença. Os riscos existem”.
Por esse motivo, o litoral tem mais risco de contágio. A alta umidade do ar faz com que as micropartículas infectadas se disseminem mais rapidamente.
Macedo explica que a infecção acontece quando a pessoa exposta ao bacilo está com imunidade baixa e não consegue combater a invasão.
A tuberculose se caracteriza por tosse constante - que dure mais de oito semanas - acompanhada de catarro branco ou amarelado e, algumas vezes com sangue, emagrecimento significativo, febre baixa ao final do dia e suor noturno excessivo.
Idosos, crianças e pessoas com doenças que afetem o sistema imunológico, como diabetes e HIV, são mais suscetíveis à doença.
De acordo com o pneumologista, o grande problema na cura da doença é o abandono do tratamento.
“O remédio deve ser tomado por seis meses, mas como nos primeiros 15 dias a melhora é muito grande, os pacientes param com a medicação. Depois a doença volta a aparecer”. Tratado corretamente, as chances de cura chegam a 95%.
A vacina, dada em bebês durante o primeiro ano de vida, não garante imunidade, mas evita a contaminação das formas mais graves da doença.